Avançar para o conteúdo principal

Apresentados

Jerónimo Dias Leite

O primeiro a escrever acerca da Madeira Jerónimo Dias Leite nasce na Madeira, em 1530, filho de Gaspar Dias, alfaiate, e de Isabel Fernandes. Batizado a 14 de março de 1540, vem a falecer em 1598, em lugar não conhecido. É irmão de Gaspar Leite, advogado que estudou em Coimbra, entre 1578 e 1584, o qual, por constar da lista dos que foram objeto de um imposto – o finto, que recaiu sobre os cristãos novos residentes na Madeira em princípios do século XVII, estabelece para toda a família o estatuto de cristã-nova. Uma vez que não existe a sua imagem em lugar algum, solicitei à IA, mediante os parâmetros conhecidos acerca de Jerónimo Dias Leite, que criasse uma. O que apresentamos é o resultado, desconhecendo-se se é semelhante ou muito diferente. Seja como for, deu o resultado que procurávamos que foi dar vida a tão importante figura da história da ilha da Madeira. Jerónimo Dias Leite, depois dos estudos, integra o clero diocesano.  Em 1573 surgem referências de ser escrivão do cabid...

Lourdes Castro

O modelo supremo da ética artística


Lourdes Castro nasce no Funchal, Madeira, no dia 9 de dezembro de 1930. Viria a falecer na capital madeirense com 91 anos, no dia 8 de janeiro de 2022.

Depois dos estudos liceais, frequenta, na década de 50, a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa no curso de Pintura.
Muda-se para Paris, em 1958, com o marido, o artista René Bertholo. Por lá fica até 1983.
Este é o período central da sua afirmação artística e concetual. Durante esse quarto de século na capital francesa, a artista plástica madeirense corta com o meio artístico fechado do Estado Novo e integra-se nas correntes vanguardistas europeias.
Instalada na cidade luz, após uma breve passagem por Munique, Lourdes Castro funda, nesse mesmo ano, o grupo e a revista experimental 'KWY' (1958–1964). 
Junta artistas portugueses no exílio, como Christo, Jan Voss, Costa Pinheiro, Gonçalo Duarte, José Escada e João Vieira, e torna-se um marco de ligação da arte portuguesa ao ambiente cosmopolita parisiense.
Paris funciona como o laboratório onde abandona a pintura tradicional sobre tela.

No início dos anos 60, começa por reunir objetos do quotidiano pintados com uma cor uniforme em caixas de madeira ou plexiglas (acrílico), dialogando com o Nouveau Réalisme e o espírito do Pop Art.
A partir de 1963, dá-se a grande viragem concetual quando passa a desenhar os contornos das sombras de amigos, intelectuais e objetos projetados sobre papel, tela e chapas de plexiglas transparente sobrepostas.

Nos anos 70, desenvolve os bordados de sombras sobre lençóis e concebe, em 1973, com Manuel Zimbro, o emblemático espetáculo itinerante 'Teatro de Sombras', com o qual percorre várias cidades europeias.
No seu ateliê e casa parisiense, Lourdes Castro mantem um estilo de vida focado na simplicidade, na observação poética do quotidiano e na receção de intelectuais e artistas que cruzam Paris.

Em 1983, após 25 anos de intensa atividade na cena internacional parisiense, encerra essa etapa vital e regressa em definitivo à Madeira, fixando-se no Caniço, onde cria o seu famoso jardim biológico. Mantém um estilo de vida intimamente ligado à natureza e à simplicidade quotidiana.

Após o regresso, o casal vive inicialmente na Quinta do Monte. 
Em 1988, muda-se para a residência construída de raiz no Caniço, num terreno amplo com cerca de 12.300 m² e vista panorâmica para o Atlântico e para as ilhas Desertas.
Desenhada por Manuel Zimbro, a habitação é pensada como uma extensão natural da paisagem e do método de trabalho do casal. Não funciona apenas como espaço de habitação ou ateliê privado, mas como uma experiência comum em constante mutação, onde a arquitetura, a luz solar, as sombras e a vegetação se fundem.
Lourdes Castro transforma o terreno envolvente num célebre jardim biológico. A artista considera a casa e o jardim como uma única obra de arte viva e inseparável — um "quadro em aberto" que cultiva e desenha ao longo de mais de três décadas, registando a sua flora nos seus famosos cadernos e herbários.
A moradia principal tem cinco quartos, três casas de banho e áreas de trabalho iluminadas para produção artística.

A intenção original manifestada pela artista em vida é de que o espaço pudesse futuramente acolher uma fundação cultural dedicada à preservação do seu espólio artístico e ambiental.
A propriedade permanece na posse de um sobrinho. 
Em setembro de 2026, a casa e o terreno envolvente estão no mercado imobiliário (anunciados por cerca de 4,1 milhões de euros), gerando debate público e cultural na Região Autónoma da Madeira quanto à salvaguarda e preservação deste património histórico-artístico.

Lourdes Castro é uma das artistas plásticas portuguesas mais marcantes e singulares do século XX e XXI. A sua obra é amplamente reconhecida pela pesquisa em torno do imaterial, da luz, do quotidiano e, sobretudo, do estudo e exploração da sombra.

Ao longo da sua carreira reservada obtém grande reconhecimento e distinções como o 'Prémio Celpa/Vieira da Silva' (1995) e o 'Grande Prémio EDP Lisboa' (2000).
Representa Portugal na Bienal de São Paulo e tem obras expostas em instituições globais como o Centre Pompidou (Paris), o Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto) e o Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa).
Lourdes Castro é condecorada com a Comenda da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1998) e com a Medalha de Mérito Cultural pelo Governo Português (2020).

Pelos seus pares e pelo meio artístico — tanto em Portugal como no meio de vanguarda internacional —, Lourdes Castro é vista como uma figura de enorme singularidade, independência e coerência poética. A sua postura reservada e a recusa em ceder às dinâmicas comerciais do mercado da arte rendem-lhe um respeito e uma admiração quase venerável entre gerações distintas de criadores.
Críticos e artistas seus contemporâneos (como Paula Rego, Menez ou Mário Cesariny) destacam a sua capacidade de transformar o invisível e o efémero em matéria artística. 
A exploração do contorno, do quotidiano e da ausência faz com que seja encarada como uma das vozes mais poéticas e radicais da arte portuguesa contemporânea.
Quando decide retirar-se do circuito urbano e fixar-se no Caniço, a sua casa e o seu jardim tornam-se ponto de peregrinação para jovens artistas, curadores e escritores. 
Para as gerações mais recentes, Lourdes Castro torna-se o modelo supremo de ética artística: alguém que demonstra ser possível fazer arte universal a partir da simplicidade, da observação da natureza e da total autonomia.
Mais do que uma pintora ou escultora no sentido tradicional, os seus pares veem-na como uma "filósofa do quotidiano", cuja maior obra de arte acaba por ser a sua própria forma de estar no mundo.

Comentários

Mensagens populares