Apresentados

Jerónimo Dias Leite

O primeiro a escrever acerca da Madeira


Jerónimo Dias Leite nasce na Madeira, em 1530, filho de Gaspar Dias, alfaiate, e de Isabel Fernandes. Batizado a 14 de março de 1540, vem a falecer em 1598, em lugar não conhecido.
É irmão de Gaspar Leite, advogado que estudou em Coimbra, entre 1578 e 1584, o qual, por constar da lista dos que foram objeto de um imposto – o finto, que recaiu sobre os cristãos novos residentes na Madeira em princípios do século XVII, estabelece para toda a família o estatuto de cristã-nova.

Uma vez que não existe a sua imagem em lugar algum, solicitei à IA, mediante os parâmetros conhecidos acerca de Jerónimo Dias Leite, que criasse uma. O que apresentamos é o resultado, desconhecendo-se se é semelhante ou muito diferente. Seja como for, deu o resultado que procurávamos que foi dar vida a tão importante figura da história da ilha da Madeira.

Jerónimo Dias Leite, depois dos estudos, integra o clero diocesano. 
Em 1573 surgem referências de ser escrivão do cabido, assim como de procurador geral dos negócios e causas do dito cabido e sé e fábrica. 
Em 1590 passa a capelão régio. 
Serve como cónego da Sé do Funchal
Dotado de cultura humanística, priva com figuras intelectuais relevantes da época, como o bispo D. Frei Luís de Figueiredo e Lemos, e desempenha um papel ativo na vida eclesiástica e social da ilha.

Jerónimo Dias Leite evidenciou-se além da carreira eclesiástica. 
Terá sido o primeiro autor com uma obra da historiografia madeirense com o 'Descobrimento da Ilha da Madeira e Discurso da vida e feitos dos capitães da dita Ilha'.
Trata-se de documentação, que se crê ter sido solicitada por Gaspar Frutuoso, residente nos Açores. Este terá pedido que conseguisse junto de João Gonçalves da Câmara, 6.º capitão do Funchal, que fossem facultados os dados constantes de escritos conservados no arquivo da casa dos Câmaras, cujo autor seria Gonçalo Aires Ferreira, um dos companheiros de Zarco. 
Ora, Jerónimo Dias Leite, na posse desse texto, e recorrendo a outras fontes como os tombos das câmaras, conseguiu compor uma obra em 11 folhas que largamente ultrapassava a fonte, composta apenas por três. 
Este manuscrito, que abordava, com mais pormenor, a história do descobrimento do arquipélago e a vida e feitos dos seus capitães, estaria pronto antes de 1590. Isto porque Gaspar Frutuoso se refere a ele como fonte para o seu Livro Segundo das 'Saudades da Terra'. 
É provável que Jerónimo Dias Leite tenha aumentado o seu texto inicial para uso próprio, o que explica o tamanho que hoje tem a obra. 
Curiosamente, Cabral do Nascimento considerava que grande parte dos erros imputados a Gaspar Frutuoso deviam-se ao manuscrito do cónego madeirense a quem atribuía a maior culpa em tudo o que conta de menos verdadeiro sobre a Madeira.
Seja como for, o texto da obra de Jerónimo Leite mantém-se como uma referência incontornável para quem se dedica ao estudo dos primeiros 150 anos da história do arquipélago, comprovado pelas vezes em que surge citado em trabalhos recentes.
A sua obra conheceria uma versão impressa apenas em 1947.

Em sua homenagem, é atribuído o nome de Jerónimo Dias Leite a uma das ruas da freguesia da Sé, de onde é natural. Curiosamente, esta rua, durante muitos anos, foi a única da capital madeirense que não tinha nenhuma porta nem nenhuma janela. 
A Rua Cónego Jerónimo Dias Leite situa-se entre a Rotunda do Infante e a Avenida do Mar, estando ladeada, a oeste, pelo Parque de Santa Catarina e, a leste, pelo edifício Marina.


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