O coronel de mão firme
Ramiro Morna do Nascimento nasce na freguesia de São Gonçalo, no Funchal, a 23 de janeiro de 1932.
Faz os estudos primários e, aos 10 anos, entra no Liceu Jaime Moniz, onde prossegue a formação académica.
Aos 18 anos concorre à Escola do Exército. É incorporado em outubro de 1950.
Conclui posteriormente o Curso de Infantaria na Escola Prática de Infantaria, em Mafra.
E dá início a uma longa carreira militar ao serviço do país.
Ao longo do seu percurso militar, cumpre cinco comissões de serviço nas então províncias ultramarinas da Índia, Moçambique, Angola e Guiné, onde evidencia elevado sentido de dever, coragem e dedicação ao serviço público. Alcança reconhecimento e prestígio no seio da instituição militar.
Em 1974, Morna do Nascimento regressa à Madeira. Assume o comando do Regimento de Infantaria do Funchal, funções que exerce com o mesmo espírito de liderança, disciplina e sentido de responsabilidade que marcam o seu percurso profissional.
Paralelamente à atividade militar, desenvolve uma intervenção cívica e institucional.
Na década de 1980 participa na fundação da Empresa Horários do Funchal, entidade que vem a assumir um papel determinante na organização e desenvolvimento dos transportes públicos urbanos da cidade.
Depois de passar à situação de reserva, assume a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo que exerce entre 1987 e 2003.
Ao longo de cerca de 26 anos de ligação à instituição, contribui para a modernização e consolidação da rede de transportes públicos do Funchal.
Em 1983 é eleito presidente da Delegação da Madeira da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), funções que desempenha até 2014.
Durante mais de três décadas de liderança promove uma profunda renovação das estruturas físicas e organizacionais da instituição na Região Autónoma da Madeira. Reforça, deste modo, a sua capacidade de intervenção nas áreas da solidariedade social, do voluntariado, da formação, da educação e da saúde.
Com a sua liderança, a Cruz Vermelha Portuguesa na Madeira consolida a sua presença e relevância social na Região, alargando a capacidade de resposta e afirmando-se como uma instituição de referência no apoio às populações e na ação humanitária.
Findo o seu mandato, mantém uma estreita ligação à CVP. Assume funções de representante da instituição nacional na Madeira e continua a colaborar ativamente nas causas humanitárias a que dedica grande parte da sua vida.
Ao longo da carreira militar e cívica Morna do Nascimento é distinguido com diversas condecorações e louvores, entre os quais a Medalha de Prata de Serviços Distintos, a Medalha de Mérito Militar de 1.ª Classe, a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar, o grau de Comendador da Ordem Militar de Avis e a Medalha D. Afonso Henriques.
Em 2014, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à Região Autónoma da Madeira e ao país, o Governo Regional atribuiu-lhe um Louvor Público, destacando a sua ação enquanto presidente da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação da Madeira e o exemplo de dedicação ao serviço da comunidade.
A sua ligação ao Clube de Futebol União vem de família, por ser filho de um dos fundadores, pelo que se torna uma figura muito próxima do clube.
Em 2020, o União atribuiu-lhe o título honorífico de Presidente Honorário, reconhecendo os serviços prestados à instituição — embora nunca tenha sido presidente do clube.
O percurso do coronel Morna do Nascimento, como ficou mais conhecido, constitui um testemunho de serviço à Pátria, à Região Autónoma da Madeira e à sociedade civil, distinguindo-se pela dedicação às Forças Armadas, pelo contributo prestado ao desenvolvimento institucional da Região e pelo compromisso permanente com os valores da solidariedade, do serviço público e da ação humanitária.
O coronel
Ramiro Morna do Nascimento é distinguido a 1 de julho de 2026 com a Insígnia Autonómica de Valor (na categoria de Cordão) pela Região Autónoma da Madeira.
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