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Apresentados

Adolfo de Sousa Brazão

O médico político que quis um Funchal melhor Adolfo de Sousa Brazão nasce no sítio das Ginjas, em São Vicente, no norte da ilha da Madeira, a 23 de fevereiro de 1890. Estamos ainda durante a monarquia constitucional. É filho de Daniel de Sousa Brazão e de Luísa Cândida de Oliveira de Sousa Brazão. A família Brazão tem uma presença antiga naquela localidade, sendo que existem diversos ramos da família na Madeira, incluindo os Sousa Brazão. Adolfo de Sousa Brazão encontra-se entre os descendentes de uma das antigas linhagens Brazão radicadas na ilha. Faz os estudos liceais no Funchal e depois ruma ao Continente para se licenciar em Medicina. Tem 20 anos quando ocorre a implantação da República, em 1910. Médico de profissão, exerce também funções ligadas à saúde pública, tendo sido identificado como Inspetor de Saúde. Participa no ensino, integrando o corpo docente da Escola Primária Superior do Funchal, estabelecimento criado no período republicano, onde leciona Ciências Naturais e Matem...

Paulo Martins

O político defensor de causas em prol do outro


Paulo Martinho Martins
nasce no Funchal a 27 de junho de 1953, cidade onde vem a falecer, com 61 anos, a 3 de outubro de 2014.
Faz os estudos secundários na Madeira e depois vai para o Continente estudar Medicina, onde fica durante dois anos, quando regressa à ilha para exercer funções como professor de Geografia e de Matemática.
A sua consciência antifascista é consolidada durante os anos que passa na universidade, num ambiente de forte contestação académica.

Após o 25 de Abril destaca-se na mobilização popular e na organização de estruturas como a 'União do Povo da Madeira' (UPM). Mantém a ligação direta aos problemas concretos das populações.
Este percurso leva Paulo Martins a ser um dos principais dirigentes da 'União Democrática Popular' (UDP) que, mais tarde, integra o 'Bloco de Esquerda' (BE). É líder da UDP-Madeira.

Em 1975, é candidato à Assembleia Constituinte pela Frente Eleitoral Comunista (FEC-ML).
Com 22 anos, é eleito no primeiro sufrágio para a Assembleia Legislativa da Madeira, em 1976, sendo sucessivamente reeleito até 2008.
Representa a UDP até 2004 e, posteriormente, o BE.
Nos últimos mandatos, existem períodos de suspensão para permitir a rotação de deputados eleitos pela mesma lista, entre eles a sua mulher, Guida Vieira, Roberto Almada e Violante Matos.
Como deputado da oposição, destaca-se por escrutinar o Governo Regional e levar problemas concretos ao debate parlamentar.
É conhecido pelo estilo frontal e combativo nos debates parlamentares. 

Paulo Martins torna-se um profundo conhecedor do processo legislativo. 
A sua ação política fica ligada à defesa dos direitos dos trabalhadores, envolvendo-se nas suas reivindicações e na defesa da democratização dos sindicatos.
Coloca no centro da sua atividade a defesa das populações e a luta por maior justiça social.

Bate-se contra o sistema de colonia, que considera de exploração agrícola e de dependência dos colonos em relação aos proprietários, que marca a sociedade madeirense.
Defende o reconhecimento das bordadeiras de casa e dos seus direitos laborais, num setor em que muitas trabalham em condições precárias.

As suas principais bandeiras políticas são a defesa da autonomia madeirense, os direitos dos trabalhadores e a justiça social. Combina a oposição ao centralismo com a crítica às desigualdades e às condições de vida na Região.
Defende que a Madeira tenha capacidade para decidir o seu futuro, mas dentro de Portugal. Recusa tanto o centralismo como o separatismo. 
Também participa na construção de instrumentos institucionais da Autonomia, como os primeiros regimentos parlamentares e o Estatuto Político-Administrativo.
Mantém uma posição autonomista integrada em Portugal, pese embora seja um defensor convicto da Autonomia. Diverge das correntes independentistas, reforçando a imagem de coerência política.

É um orador brilhante. Estrutura argumentos com rapidez e tem uma sensibilidade política apurada que permite dialogar e negociar com diferentes forças políticas sem abdicar das convicções firmes.
O seu trajeto político é reconhecido por não ser apenas um dirigente, mas um militante de terreno, que escuta os problemas concretos e constrói a sua intervenção a partir dessa realidade.

Paulo Martins procura uma Madeira mais autónoma, mas também mais democrática e socialmente justa. A sua política não se limita à reivindicação de poderes para a Região, incluindo também a defesa de quem trabalha e das populações com menos voz.

É um homem presente, solidário e com sentido de humor. Conjuga a firmeza política com uma dimensão humana profunda, transformando adversários em interlocutores, mas nunca em inimigos.
A doença retira-o cedo da cena política regional. Mas o seu combate e a forma abnegada como vive a política ficam na história da autonomia madeirense.

A 9 de junho de 2003, é agraciado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com o título de Comendador da Ordem da Liberdade.
Em 2015, já depois da sua morte, é-lhe atribuída a Insígnia Autonómica de Valor, a título póstumo.
Na cidade do Funchal, o seu nome é atribuído à Rotunda Comendador Paulo Martins na Rua Dr. Pita, por onde passam diariamente milhares de automóveis.
Em janeiro de 2020, a sua mulher, Guida Vieira, e a filha, Joana Martins, apresentam no Museu da Casa da Luz, no Funchal, um livro de homenagem, com o título “Dedicado a Ti”.
Em 2026, o Bloco de Esquerda e o grupo The Left no Parlamento Europeu lançam uma iniciativa de debate sobre a Autonomia e a democracia, evocando o percurso político de Paulo Martins . A primeira conferência realizou-se no Funchal, em junho desse ano.


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