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Apresentados

João Gonçalves Zarco

O descobridor e povoador da Madeira João Gonçalves Zarco nasce no Continente em 1390, em lugar não consensual. Terá sido em Tomar. Viria a falecer com 81 anos no Funchal, a 21 de novembro de 1471. É filho de Gonçalo Esteves Zarco e Beatriz Annes de Santarém. Desde novo que abraça a carreira marítima e comanda caravelas que guardam as costas do Algarve. Antes de se dedicar à exploração marítima,  João Gonçalves Zarco  esteve na conquista de Ceuta, no norte de África, em 1415, sendo nomeado cavaleiro fidalgo da Casa do Infante. Já por terras luas, é o primeiro a se oferecer ao Infante D. Henrique, para o apoiar nas viagens, quando este se lança no caminho das explorações marítimas.  Assim, em 1418, o Infante prepara uma caravela e entrega-a a  João Gonçalves Zarco  e a Tristão Vaz Teixeira com a missão de encontrar terras desconhecidas ou ilhas que já aparecem nos mapas.  Depois de alguns dias de viagem,  João Gonçalves Zarco , e, ao que diz a lend...

Manuel de Saldanha de Albuquerque

O Governador que impulsiona a Pontinha


Manuel de Saldanha de Albuquerque
e Castro ou Coutinho Matos e Noronha, apelidos que também utilizou, nasce no Continente em 1712. Viria a falecer em Lisboa, a 6 de dezembro de 1771.
É filho de Aires de Saldanha de Albuquerque Coutinho Matos e Noronha e de Maria Leonor de Lencastre e Moscoso, e pertence a uma das principais famílias da nobreza de corte, da qual saem anteriormente alguns governadores da Madeira, entre os quais o seu avô João de Saldanha e Albuquerque.
Manuel de Saldanha de Albuquerque (aqui numa imagem imaginária, em virtude de se desconhecer a existência de alguma pintura sua) é sargento-mor de batalha com exercício na torre de Belém. E, antes, mestre de campo, coronel e brigadeiro com exercício em ocasião de guerra, bem como comendador de Santa Maria de Castro Laboreiro, na Ordem de Cristo e no arcebispado de Braga.

A sua família é favorecida e colocada em altos cargos nos primeiros tempos do Governo de marquês de Pombal.
Manuel de Saldanha de Albuquerque é indicado para o cargo de Governador da Madeira desde o fevereiro de 1754, mas só tem patente de governador e capitão-general da Madeira a 6 de maio desse ano. 
Vem para o Funchal, com Ana Ludovina (com quem casa nesse ano), dois dias depois e toma posse a 16. 

Substituiu no cargo Álvaro José Xavier Botelho de Távora, ainda seu parente, nomeado para o Governo de Goiás, no Brasil. 
Depois de conhecer a realidade da Madeira, a 1 de outubro de 1754 elabora um extenso relatório para a Corte, onde refere a inexistência de um regimento em que estivessem consignadas as competências do governador da Madeira. 
Entretanto, um novo conflito surge na Europa em 1756. Fica conhecido como a Guerra dos Sete Anos. 
Nessa altura, o governador envia para Lisboa mapas detalhados das forças e das fortificações da ilha, com descrição pormenorizada. 
Em maio de 1755, Manuel de Saldanha de Albuquerque defende uma série de medidas para fazer face à crise geral das propriedades agrícolas. 
Com a chegada das primeiras informações sobre este projeto às zonas rurais, surgem motins na Calheta, Ponta do Sol e São Vicente. 

A 15 de junho de 1756, apregoa que os residentes na ilha só cultivam as terras junto ao mar, deixando as demais por lavrar. 
Por essa altura, os agricultores apresentam a necessidade de pastos para o gado, mas, o governador acrescenta que não é verdade, dada a configuração do terreno não permitir a sua utilização para gado. 

Numa posição pouco amiga do povo, conclui que a maior parte das terras tinha sido dada aos avós dos atuais proprietários por sesmaria, com a obrigação de as aproveitarem, pelo que, não tendo tal sido feito, deviam voltar à Coroa. E alerta que tudo deve ser feito sem fazer sangue, ao mesmo tempo que obriga os proprietários a cultivar essas terras. 
Admite que pode ser feito como na América do Sul, ainda que seja só por empréstimo, para os satisfazerem durante alguns anos
Considera que, assim, a Madeira é uma terra farta e não precisa de se valer dos países estrangeiros que têm relações comerciais com a ilha. No seu entender, ganha a Madeira e a Coroa Real, porque não sai tanto dinheiro como acontece, então.

Mais farpas usa Manuel de Saldanha de Albuquerque quando afirma que na cidade do Funchal a vida é mais cara que em Londres. Daí amentar que tem de se endividar para sobreviver na capital madeirense.
Nesse quadro, pede para não estranharem se tiver de recorrer a essa situação para sobreviver como governador. Ao invés, propõe que o pagamento de metade do seu ordenado e do montante que lhe são devidos seja concretizado em espécie, em trigo e vinho, como fazem com o clero. 
Evidencia que é o único modo de aqui poder viver sem dívidas.

As condições económicas na Madeira são adversas nesses anos, com falta de cereal com a recessão provocada pela Guerra dos Sete Anos, agora a decorrer com especial intensidade no quadro da América do Norte. 
O continente americano é, então, o principal fornecedor de cereais na ilha.

Ainda assim, o curioso é que Manuel de Saldanha de Albuquerque inicia os seus negócios pessoais com vinho da Madeira ainda em Lisboa, à semelhança do seu avô João de Saldanha e Albuquerque. São negócios que continua na ilha e que depois transfere para a Índia, quando sai como conde da Ega e vice-Rei, chegando a fretar navios para o efeito. 

Em termos de obra feita, deve-se a Manuel de Saldanha de Albuquerque o início das obras do porto do Funchal, sendo enviado o engenheiro de origem italiana Francisco Tosi Colombina. 
A 22 de março de 1756 há ordem de execução do porto de abrigo. 
A 29 de julho de 1757, o governador dá conta para Lisboa do bom ritmo das obras.
Contudo, as relações entre Manuel de Saldanha de Albuquerque e Francisco Tossi Colombina são postas em causa. O governador duvida das suas capacidades para realizar a obra de tal envergadura. 
Curiosamente, em 1758, Manuel de Saldanha de Albuquerque é nomeado vice-Rei da Índia, e leva consigo o engenheiro italiano.

O governador da Madeira parte para o Oriente com a nomeação, de 10 de março. É agraciado com o título de conde da Ega, por decreto de 25 de março.

O seu governo no Oriente torna-se complicado, com as várias guerras do Estado da Índia e, depois, com a extinção da Companhia de Jesus, em 1759. Cumpre as ordens do marquês de Pombal, prendendo e enviando para o reino 231 padres que então existem na Índia e que são um dos principais suportes da presença portuguesa no Oriente. 

Nesse mesmo ano, vai residir em Pangim, mas a despesa causada por esta mudança, o ambiente de grandeza em que sempre vive, bem como alguns atos despóticos e pouco regulares que pratica, originam uma acusação de ter delapidado a fazenda pública por ocasião do sequestro dos bens dos Jesuítas. 

É exonerado do cargo e substituído por um conselho constituído por António Taveira de Neiva Brum da Silveira, arcebispo de Goa, João Baptista Vaz Pereira e D. João José de Melo.

Entrega o governo a 25 de dezembro de 1765. Sai de Goa a bordo do navio 'Nossa Senhora de Brotas'. 
Ao entrar no Tejo, é preso na torre do Otão, em Setúbal. Ali fica mais de dois anos. 
Com saúde debilitada é autorizado a sair e ir para casa com a família, onde, já cego, acaba por falecer a 6 de dezembro de 1771, sendo sepultado na igreja do Convento dos Marianos. 
Depois da sua morte, a esposa, Ana Ludovina de Almada, consegue, pelo decreto de 27 de maio de 1777, a nomeação de um novo juiz relator do processo acusatório. Desta forma, prova a improcedência das acusações. E, por sentença da Relação de Lisboa, de 26 de janeiro de 1779, vê ilibada a conduta do conde da Ega como vice-Rei da Índia. 
Nessa altura, o filho Aires de Saldanha e Albuquerque herda o título paterno. 

Em resumo, o governo de Manuel de Saldanha de Albuquerque na Madeira marca uma nova forma de governar e a produção de uma série de relatórios para a corte de Lisboa. 
Exerce o cargo durante o conflito conhecido como a Guerra dos Sete Anos.
A ele se fica a dever a construção do molhe do porto da Pontinha.

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