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| Uma fotografia imaginária do que terá sido Luís Vicente de Afonseca |
Luís Vicente de Afonseca nasce da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, na Madeira, no dia 11 de junho de 1803.
Depois dos estudos liceais, segue para o Continente para cursar Medicina na Universidade de Coimbra, de onde sai como Bacharel.
De regresso à Madeira exerce clínica, com proficiência, gozando de um alto prestígio e reputação.
No entanto, evidencia-se como político.
Faz parte do chamado grupo dos amigos de D. Pedro, apoiantes da Carta Constitucional. Tem consigo nomes como Lourenço José Moniz e Sérvulo Drumond de Meneses.
Posteriormente, integra o Partido Cartista.
Dissolvidas as Cortes, a 25 de fevereiro de 1840, e convocadas as assembleias eleitorais, em finais de abril, Luís Vicente de Afonseca é eleito deputado pela Madeira.
É reeleito em junho de 1842 e torna-se a ponte da Madeira com o Continente, como acontece, a 3 de janeiro de 1843, com o intuito de apoiar a propósito dos terríveis estragos da aluvião de 24 de outubro de 1842.
Posteriormente, com os mesmos companheiros de 1840, Luís Vicente de Afonseca passa para o Partido Reformista, conhecido por popular, por estar ligado ao jornal 'O popular'.
É eleito continuamente, mesmo quando o partido esteve na oposição.
Por lá fica durante 34 anos, um feito notável, sem par, até ao início do séc. XXI.
Como deputado, representa a Madeira no Parlamento, 10 vezes.
Luís Vicente de Afonseca é conhecido pela austeridade de caráter, uma comprovada abnegação e o desinteresse com que sempre trata as questões da Madeira no Parlamento.
É um homem culto e de inteligência superior, dotando-o do maior prestígio entre todas as camadas sociais.
A sua longa carreira política, serve-lhe apenas para defender, com abnegação, os interesses da sua terra.
Não obstante, o seu trabalho não é fácil, levando-o a grandes lutas contra inimigos políticos, que não hesitam em deturpar as suas nobres e puras intenções, sofrendo vexames e ultrajes.
Esteve algum tempo no Brasil, onde estuda a cultura do café. Ali nasce um filho seu, Lon de Afonseca, poeta e jornalista.
Na legislatura de 1852-1854, defende no Parlamento nacional a excelência do café da Madeira que, em 1876, na Madalena do Mar, tem já certa importância, pela sua excelente qualidade e agradabilíssimo sabor, chegando à conclusão de que ele rivaliza com o de Moca, tendo enviado algumas amostras para Londres onde é classificado, pelos cientistas britânicos, como o melhor do mundo.
Leva uma vida austera, simples e modesta, pelo passa dificuldades económicas em Lisboa.
E depois de uma vida de lutas, com 75 anos, pobre e na obscuridade,
Luís Vicente de Afonseca vem a falecer em Lisboa, em dezembro de 1878.
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