Adolfo de Sousa Brazão
O médico político que quis um Funchal melhor
É filho de Daniel de Sousa Brazão e de Luísa Cândida de Oliveira de Sousa Brazão.
A família Brazão tem uma presença antiga naquela localidade, sendo que existem diversos ramos da família na Madeira, incluindo os Sousa Brazão. Adolfo de Sousa Brazão encontra-se entre os descendentes de uma das antigas linhagens Brazão radicadas na ilha.
Faz os estudos liceais no Funchal e depois ruma ao Continente para se licenciar em Medicina.
Tem 20 anos quando ocorre a implantação da República, em 1910.
Médico de profissão, exerce também funções ligadas à saúde pública, tendo sido identificado como Inspetor de Saúde.
Participa no ensino, integrando o corpo docente da Escola Primária Superior do Funchal, estabelecimento criado no período republicano, onde leciona Ciências Naturais e Matemática.
Na vida política, está ligado ao Partido Republicano Português (PRP). É eleito deputado pelo círculo do Funchal nas eleições legislativas de 8 de novembro de 1925, integrando a VII Legislatura da Câmara dos Deputados, a última da Primeira República antes da Revolução de 28 de Maio de 1926. Obtém 3.670 votos na sua eleição como deputado.
Atente-se que estamos perante um período particularmente turbulento em Portugal, com a legislatura a corresponder aos últimos meses da Primeira República, terminando no contexto da crise política que antecedeu a instauração da ditadura militar em 28 de maio de 1926.
Depois da passagem pelo Parlamento, manteve uma intervenção ativa na vida pública madeirense.
Na prática, Adolfo de Sousa Brazão defende uma ideia de cidade turística precisamente no momento em que o Funchal começa entrar numa nova fase de transformação urbana. Na verdade, em 1935, quando falava sobre turismo e urbanismo, a Madeira encontra-se numa fase de transição para uma nova conceção do Funchal enquanto cidade turística.
A intervenção de Adolfo de Sousa Brazão estende-se ainda ao movimento associativo.
Tem 20 anos quando ocorre a implantação da República, em 1910.
Médico de profissão, exerce também funções ligadas à saúde pública, tendo sido identificado como Inspetor de Saúde.
Participa no ensino, integrando o corpo docente da Escola Primária Superior do Funchal, estabelecimento criado no período republicano, onde leciona Ciências Naturais e Matemática.
Esta atividade é particularmente interessante porque mostra que, antes de se afirmar politicamente, Adolfo de Sousa Brazão está ligado simultaneamente à medicina e à educação, duas áreas que têm grande importância no projeto de modernização social da Madeira nas primeiras décadas do século XX.
Na vida política, está ligado ao Partido Republicano Português (PRP). É eleito deputado pelo círculo do Funchal nas eleições legislativas de 8 de novembro de 1925, integrando a VII Legislatura da Câmara dos Deputados, a última da Primeira República antes da Revolução de 28 de Maio de 1926. Obtém 3.670 votos na sua eleição como deputado.
Atente-se que o círculo eleitoral é então bastante mais vasto do que o atual concelho do Funchal. Abrange a comarca do Funchal, incluindo os concelhos de Machico, Ponta do Sol, Porto Moniz, Ribeira Brava, Santa Cruz, Santana, São Vicente e Funchal.
A candidatura de Adolfo Brazão apresenta um pormenor particularmente interessante.
A documentação eleitoral revela que as comissões políticas locais do PRP propõem a sua candidatura, juntamente com Manuel da Costa Dias.
Contudo, o diretório nacional do partido não quer essas candidaturas. Apesar disso, PRP acaba por concorrer e ser eleito.
A documentação eleitoral revela que as comissões políticas locais do PRP propõem a sua candidatura, juntamente com Manuel da Costa Dias.
Contudo, o diretório nacional do partido não quer essas candidaturas. Apesar disso, PRP acaba por concorrer e ser eleito.
A sua candidatura e de Manuel da Costa Dias fazem parte de uma lista oposicionista, em contraste com uma outra composição eleitoral que reune candidatos de diferentes forças republicanas.
Esta realidade mostra que a política madeirense da Primeira República tem uma dinâmica própria e que as estruturas políticas locais nem sempre coincidem com as orientações das direções nacionais.
Esta realidade mostra que a política madeirense da Primeira República tem uma dinâmica própria e que as estruturas políticas locais nem sempre coincidem com as orientações das direções nacionais.
Atente-se que estamos perante um período particularmente turbulento em Portugal, com a legislatura a corresponder aos últimos meses da Primeira República, terminando no contexto da crise política que antecedeu a instauração da ditadura militar em 28 de maio de 1926.
Adolfo de Sousa Brazão vive, assim, a Revolução de 28 de Maio de 1926, a ditadura militar e a consolidação do Estado Novo.
Depois da passagem pelo Parlamento, manteve uma intervenção ativa na vida pública madeirense.
Em 1935, defende uma profunda transformação do Funchal para que a cidade possa afirmar-se como verdadeiro destino turístico. Considera necessárias melhores estradas, escolas, fontanários, saneamento e uma importante intervenção urbanística na zona oeste da cidade.
Quer também a construção de um novo casino e o aproveitamento das quintas do Estado (Bianchi, Pavão e Vigia) para espaços de recreio, jardins e equipamentos destinados à população e aos visitantes.
Considera que a Madeira não pode limitar-se a receber turistas, pois diz ser necessário criar condições urbanas e sanitárias adequadas.
Entre as necessidades que aponta estão estradas, escolas, fontanários, saneamento básico, melhor organização urbana, e a já referida intervenção a oeste do Funchal, então marcada por condições que entende incompatíveis com uma cidade turística.
Esta posição é especialmente significativa porque antecede em muitos anos a transformação urbanística do Funchal que viria a ocorrer durante o período de Fernão de Ornelas, presidente da Câmara Municipal entre 1935 e 1946.
Esta posição é especialmente significativa porque antecede em muitos anos a transformação urbanística do Funchal que viria a ocorrer durante o período de Fernão de Ornelas, presidente da Câmara Municipal entre 1935 e 1946.
O médico e político vê o turismo como uma atividade económica que exige uma cidade preparada para receber visitantes.
Na prática, Adolfo de Sousa Brazão defende uma ideia de cidade turística precisamente no momento em que o Funchal começa entrar numa nova fase de transformação urbana. Na verdade, em 1935, quando falava sobre turismo e urbanismo, a Madeira encontra-se numa fase de transição para uma nova conceção do Funchal enquanto cidade turística.
A intervenção de Adolfo de Sousa Brazão estende-se ainda ao movimento associativo.
É distinguido como sócio honorário da 'Associação de Futebol do Funchal' em 24 de setembro de 1927. No ano rotário de 1942–1943, preside ao 'Rotary Clube do Funchal', clube fundado em 22 de dezembro de 1933. Rrecebe a sua carta constitucional em fevereiro de 1934. É então o terceiro Rotary Club criado em Portugal, depois dos clubes de Lisboa e Porto.
Esta função coloca-o no núcleo da elite profissional e associativa do Funchal da época.
O Rotary local reune médicos, empresários, profissionais liberais, dirigentes e outras personalidades da sociedade madeirense.
O Rotary local reune médicos, empresários, profissionais liberais, dirigentes e outras personalidades da sociedade madeirense.
Adolfo de Sousa Brazão casa com Albertina de Sousa Brazão, natural do Brasil, e tem quatro filhos. Um deles, também chamado Adolfo de Sousa Brazão, torna-se médico e vem a desempenhar importantes funções na medicina madeirense.
Viria a falecer com 66 anos, em 1956, uma altura em que a Madeira está a entrar numa nova fase de desenvolvimento económico e de transformação das infraestruturas. Deixa um percurso que atravessa a medicina, a saúde pública, o ensino, a política e o associativismo madeirense.
A sua importância histórica torna-se ainda mais interessante quando observamos a continuidade familiar.
O filho, Adolfo de Sousa Brazão (1923–2008), segue a profissão médica e alcança posições de destaque no sistema de saúde madeirense. É primeiro diretor do serviço de imuno-hemoterapia da Madeira e diretor clínico do Hospital Central do Funchal.
O neto, Adolfo de Freitas Brazão, segue uma carreira completamente diferente, como advogado e político regional.
O filho, Adolfo de Sousa Brazão (1923–2008), segue a profissão médica e alcança posições de destaque no sistema de saúde madeirense. É primeiro diretor do serviço de imuno-hemoterapia da Madeira e diretor clínico do Hospital Central do Funchal.
O neto, Adolfo de Freitas Brazão, segue uma carreira completamente diferente, como advogado e político regional.
Adolfo de Sousa Brazão é igualmente avô de Teresa Brazão, uma pintora de relevo madeirense, irmã de Adolfo de Freitas Brazão.

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