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Apresentados

Jerónimo Dias Leite

O primeiro a escrever acerca da Madeira Jerónimo Dias Leite nasce na Madeira, em 1530, filho de Gaspar Dias, alfaiate, e de Isabel Fernandes. Batizado a 14 de março de 1540, vem a falecer em 1598, em lugar não conhecido. É irmão de Gaspar Leite, advogado que estudou em Coimbra, entre 1578 e 1584, o qual, por constar da lista dos que foram objeto de um imposto – o finto, que recaiu sobre os cristãos novos residentes na Madeira em princípios do século XVII, estabelece para toda a família o estatuto de cristã-nova. Uma vez que não existe a sua imagem em lugar algum, solicitei à IA, mediante os parâmetros conhecidos acerca de Jerónimo Dias Leite, que criasse uma. O que apresentamos é o resultado, desconhecendo-se se é semelhante ou muito diferente. Seja como for, deu o resultado que procurávamos que foi dar vida a tão importante figura da história da ilha da Madeira. Jerónimo Dias Leite, depois dos estudos, integra o clero diocesano.  Em 1573 surgem referências de ser escrivão do cabid...

Vicente Jorge Silva

O jornalista à frente do seu tempo




Vicente Jorge Silva nasce no Funchal, na Madeira, a 8 de novembro de 1945. Viria a falecer aos 74 anos, em Lisboa, a 8 de setembro de 2020.
A sua juventude é marcada por um espírito rebelde, um amor precoce pelas artes e uma entrada sem medo no jornalismo e no ativismo político contra o regime do Estado Novo.

Nasce no seio de uma família com tradição na fotografia, através da 'Photografia Vicente's'. 
O trisavô, Vicente Gomes da Silva, funda, no Funchal, em meados do século XIX, o atelier fotográfico continuado mais antigo do país, hoje preservado como 'Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente's'.
Vicente cresce literalmente no estúdio. O convívio diário com as câmaras de grande formato, o laboratório químico, a iluminação e os cenários moldam a sensibilidade para a composição visual e a luz.
A transição para a imagem em movimento dá-se de forma natural. 
A paixão pelo cinema nos anos 1960 constitui um prolongamento do fascínio de infância pelo poder de fixação da memória que a fotografia representa.
Quando funda o 'Público' em 1990, Vicente Jorge Silva traz para a imprensa diária nacional uma exigência estética invulgar. O jornal destaca-se precisamente pela rotura no tratamento gráfico: a fotografia deixava de ser mero adereço do texto para passar a ser um elemento narrativo e de autor.

Desde muito jovem, demonstra grande interesse pelo cinema e pela escrita. 

Com 15 anos, realiza a primeira curta-metragem, 'O Limite e as Horas' (1961), revelando uma vocação para a imagem e a narrativa.
O espírito crítico e as atividades políticas cedo atraem a atenção da PIDE (polícia política do regime). Devido a estes problemas, é forçado a abandonar o liceu no Funchal e a sair da Madeira ainda adolescente. Vive um período de exílio em França e no Reino Unido, onde expande os horizontes culturais e políticos.

Regressa à Madeira em 1966. 
Aos 21 anos, assume a direção do semanário 'Comércio do Funchal' - propriedade do seu pai -, que mantém até 1974.
Protagoniza um dos fenómenos mais corajosos da imprensa portuguesa do final do Estado Novo: a transformação de um semanário comercial insular num dos jornais de oposição mais influentes de todo o país.
Inicia uma profunda reestruturação gráfica e concetual, afastando o semanário da agenda local.
A partir de 1967 o jornal passa a ser lido no continente. Atrai colaborações de intelectuais de destaque da oposição. Torna-se uma plataforma de debate ideológico onde escrevem figuras centrais da resistência cultural e política, como Eduardo Lourenço, Mário Sottomayor Cardia, José Afonso, Fernando Assis Pacheco e António Loja.
Sob a influência estética e crítica de Vicente Jorge Silva, o jornal rompe com o tom cinzento da imprensa da época, introduzindo a crítica de cinema, a cultura pop, as correntes artísticas de vanguarda e o debate ecológico pioneiro.
Ao operar fora de Lisboa e Porto, o jornal aproveita inicialmente alguma desatenção da censura para publicar textos e análises críticas que dificilmente passariam nos diários da capital.
Os constantes cortes da censura nas suas páginas tornaram-se um símbolo manifesto do estrangulamento da liberdade de expressão pelo regime salazarista e marcelista.
Entre 1970 e 1973, devido às posições assumidas contra a guerra colonial e o regime, a PIDE/DGS e a Comissão de Exame Prévio cortam sistematicamente edições inteiras do jornal, criando graves dificuldades financeiras.
Após o 25 de Abril, o jornal acolhe perspetivas da esquerda radical, entre as quais, do MES. 
As divergências políticas internas levariam ao afastamento de Vicente Jorge Silva e ao eventual encerramento do semanário em 1975.

A juventude de Vicente Jorge Silva é, portanto, o alicerce de uma carreira multifacetada, onde a irreverência juvenil se transforma num compromisso com a liberdade de expressão, a qualidade do jornalismo e a intervenção cultural e política em Portugal.

Após a revolução de abril, em 1974, integra a redação do semanário 'Expresso', onde chega a subdiretor e consolida o perfil de analista político e grande repórter. Por lá fica até 1989.

Deixa o histórico semanário para liderar a equipa fundadora do 'Público'.
O processo de criação do jornal, entre 1989 e a chegada às bancas em 5 de março de 1990, representa uma revolução no panorama da imprensa portuguesa. É o resultado da fusão entre a visão jornalística de Vicente Jorge Silva e a capacidade financeira e empresarial de Belmiro de Azevedo.
Inconformado com as limitações dos jornais diários existentes, idealiza um novo diário de referência. Belmiro de Azevedo e o grupo Sonae aceitam investir no projeto, garantindo independência e meios financeiros.
Constroi a redação inicial através da contratação de jornalistas consagrados, muitos vindos do 'Expresso', 'Diário de Lisboa' e 'O Jornal', assim como através da captação de novos talentos universitários.
Inspirado no modelo europeu de jornais de referência, como o espanhol 'El País' e o 'Le Monde', o jornal aposta num grafismo sóbrio e moderno, numa paginação avançada e um formato inovador.

Em março sai para as bancas o primeiro número do 'Público', com um Estatuto Editorial centrado na independência, no rigor informativo e no compromisso europeísta.
O jornal nasce com a garantia explícita de autonomia editorial perante os poderes políticos e económicos, suportado pelo Estatuto Editorial do projeto.
Dividido em cadernos bem definidos e com forte aposta na infografia, no design limpo e na qualidade da fotografia, rompe com o aspeto visual tradicional da imprensa portuguesa.
Sob a sua direção intempestiva e apaixonada, cria um ambiente de debate exigente, onde não há lugar para o erro. Valoriza a grande reportagem, o ensaio e a opinião plural.
Poucos anos após o lançamento em papel, o 'Público' torna-se também um dos pioneiros no jornalismo digital em Portugal ao lançar a sua versão online em 1995.

Em 1999 é eleito deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista como independente, pelo círculo eleitoral da Madeira. Fica em São Bento até 2002.

Como realizador de cinema roda os filmes 'O Limite e as Horas' (1961), 'O Discurso do Poder' (1976), 'Vicente Fotógrafo' (1978), 'Bicicleta - Ou o Tempo Que a Terra Esqueceu' (1979),  'A Ilha de Colombo' (1997). 'Porto Santo' (1997), o seu último trabalho no cinema, é exibido no Festival Internacional de Genebra.

Vicente Jorge Silva é uma das figuras mais marcantes do jornalismo, do cinema e da política em Portugal. 

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