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António Aloísio Jervis de Atouguia

O liberal que governa Porto e Lisboa e é ministro


António Aloísio Jervis de Atouguia
nasce no Funchal, a 7 de julho de 1797. Viria a falecer em Lisboa, com 63 anos, a 17 de maio de 1861.
É filho do morgado Manuel de Atouguia Jervis e de Antónia Joana de Carvalhal Esmeraldo. 

Faz os primeiros estudos no Funchal. Depois ruma a Inglaterra onde inicia, em 1811,  o secundário no colégio 'Old Hall Green', nos arredores de Londres.
De regresso a Portugal, matricula-se em Matemática, na 'Universidade de Coimbra'. 
Terminado o curso, em 1822, é nomeado professor substituto da Academia da Marinha (antecessora da Escola Naval), tornando-se professor catedrático em 1834.

Em junho de 1828, já metido na política e liberalista, Jervis de Atouguia foge para Inglaterra. 
No mês de agosto seguinte regressa ao Funchal com o intuito de ficar ao lado do governador da Madeira, Capitão-General José Lúcio Travassos Valdez, na luta contra as tropas absolutistas de D. Miguel. 
Contudo, a vitória destes, leva-o fugir para bordo do navio inglês 'Alligator'. Com ele vão mais madeirenses.
Segue, de novo, para Inglaterra.
Em 1831 deixa o Reino Unido e viaja para a ilha Terceira, nos Açores, outra vez por causa da política, uma vez que ali está organizada a resistência dos liberais. 
Em Angra do Heroísmo, ingressa na organização carbonária/maçónica ligada aos saldanhistas, mantendo depois uma estreita amizade política e pessoal com o marechal Saldanha.

No ano seguinte, Jervis de Atouguia está presente na tentativa de conquista da Madeira. Mas, sofre novo revés, com o domínio das forças absolutistas.
Faz as malas e volta para os Açores. Dali vai para o norte de Portugal, para se juntar às tropas de D. Pedro IV, no Porto. 
Mantém-se na maçonaria, em conjunto com António César de Vasconcelos Correia, João Carlos de Saldanha, José Lúcio Travassos Valdez e Júlio Gomes da Silva Sanches.

Ate que, finalmente, vê sucesso nas suas decisões. 
Com a vitória liberal, é nomeado governador civil do Porto, em 1836, e é condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada. 

De 25 de julho a 25 de novembro de 1835, integra  o Governo presidido pelo duque de Saldanha, como ministro e secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar.
Em 1837 toma parte ativa na 'Revolta dos Marechais'. Trata-se de sublevação militar fracassada, de inspiração cartista contra o setembrismo, encabeçada pelos marechais António José Severim de Noronha, 1.º duque da Terceira, e João Carlos Oliveira e Daun, 1.º duque de Saldanha. 
A revolta desencadeia-se na Vila da Barca a 12 de julho de 1837 com a sublevação das forças sob o comando do coronel José de Vasconcelos Bandeira de Lemos, 1.º barão de Leiria, e apenas foi, a muito custo, sufocada a 18 de Setembro de 1837. 
A revolta termina oficialmente com a 'Convenção de Chaves', assinada a 20 de setembro de 1837.

Em 1838, Jervis de Atouguia é eleito deputado pela minoria cartista. Permanece no Parlamento até 1840. 
De 31 de agosto a 26 de novembro de 1840 é governador civil do distrito de Lisboa, nomeado pelo governo presidido por José Lúcio Travassos Valdez, o 1.º conde de Bonfim.
Em 1841 é eleito presidente da Câmara dos Deputados.

De 7 a 9 de fevereiro de 1842 é  nomeado ministro da Marinha e Ultramar no 'Governo do Entrudo', nome por que ficou conhecido o 13.º governo da Monarquia Constitucional, presidido pelo Duque de Palmela, que governa Portugal por 3 dias, por coincidência os dias em torno do Carnaval, de 7 a 9 de fevereiro de 1842.

De 22 de maio de 1851 a 4 de março de 1852, Jervis de Atouguia é ministro e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros interino, sendo substituído no cargo por João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, o 1.º visconde de Almeida Garrett. 
A 17 de agosto de 1852, regressa ao cargo, primeiro como interino e depois como efetivo, a partir de 31 de dezembro de 1852. Por ali fica até 6 de junho de 1856. 
De 4 de março a 17 de agosto de 1852 é também ministro da Marinha e Ultramar, acumulando a pasta com a dos Negócios Estrangeiros até 6 de junho de 1856. 

É ainda diretor da Escola Politécnica de Lisboa e conselheiro do Tribunal de Contas.

A 5 de janeiro de 1853 é nomeado par do Reino.
Por decreto de 15 de março de 1853, a rainha D. Maria II atribui-lhe o título de 1.º visconde de Atouguia, em reconhecimento dos serviços prestados à causa liberal.
António Aloísio Jervis de Atouguia recebe várias comendas nacionais e estrangeiras, pelo desempenho um papel importante na guerra civil que opôs liberais e absolutistas e pela carreira brilhante no território continental, como deputado, par do Reino e ministro. 

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