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João Inocêncio Camacho de Freitas

O governador que quer mudar a Madeira


João Inocêncio Camacho de Freitas
nasce na Ribeira Brava, a 19 de fevereiro de 1899. Viria a falecer em Lisboa, a de 1 julho de 1969.
É filho de António Freitas júnior e de Eulália Camacho de Freitas.
Depois dos estudos liceais, vai para o Continente onde cursa a Escola Naval. Especializa-se em Oceanografia e Cartografia.
Como oficial da Marinha Portuguesa, chega a capitão-de-mar-e-guerra, 
Dedica-se à oceanografia e cartografia oceanográfica nas costas de Portugal e de Moçambique.

Em 1943 é nomeado capitão do porto do Funchal, lugar que abandona em 1943. Regressa em 1945. 
É um cargo de grande relevância em uma ilha cuja economia e contatos externos dependem da navegação. Nessa qualidade, intervém em questões de segurança marítima, tráfego portuário e assistência a náufragos.
Mas, tem também a preocupação social. Neste âmbito está presente na distribuição de donativos às viúvas e órfãos de um naufrágio.

Em 23 de dezembro de 1951 assume o cargo de Governador Civil na Madeira, lugar que ocupa até 1969. 
Durante 18 anos é o principal representante do Governo central na Madeira, num período de forte controlo político do Estado Novo.
A ação de João Inocêncio Camacho de Freitas é visível em várias áreas do desenvolvimento regional, com especial atenção ao porto do Funchal, às águas, à cana-de-açúcar e à colonização.
Acompanha as obras rodoviárias estratégicas, a ligação entre o Curral das Freiras e a Eira do Serrado, e a ligação à remodelação do Casino do Funchal, instalado na Quinta da Vigia.
Por outro lado, preside a iniciativas de fomento agrícola, como a primeira Feira de Gado do Porto Moniz.

É um homem de profunda religiosidade e admirador de Salazar, integrando-se no quadro político do Estado Novo. 
Mas esta ligação ao ditador não invalida que tenha posições próprias e desenvolvimentistas, sobretudo quanto ao futuro do porto do Funchal, que considera uma infraestrutura decisiva para toda a ilha.
As suas propostas sobre o porto, a colonização, a cana-de-açúcar e o aproveitamento das águas entram em conflito com setores influentes do regime. 
No entanto, acaba por perder essas disputas por ausência de influência política suficiente e porque as suas ideias não convergiam com a orientação de Oliveira Salazar.

João Inocêncio Camacho de Freitas é amigo pessoal do almirante Américo Tomaz, Presidente da República, com quem chega a trabalhar em Moçambique na área da oceanografia.
Em 1932 recebe da Presidência da República, o marechal Óscar Carmona, a condecoração com o grau de Oficial da Ordem Militar de Avis.
A sua memória permanece na toponímia do Funchal, uma vez que a Estrada Comandante Camacho de Freitas é assim designada em sua memória.

João Inocêncio Camacho de Freitas é uma figura ambivalente da história madeirense contemporânea. É um administrador do Estado Novo, mas também um técnico e defensor de um projeto de desenvolvimento para a ilha. 
A sua longa governação coincide com um período decisivo de obras públicas, modernização parcial das infraestruturas e consolidação do turismo, ainda que dentro dos limites autoritários do regime.

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