João Gonçalves Zarco
O descobridor e povoador da Madeira
João Gonçalves Zarco nasce no Continente em 1390, em lugar não consensual. Terá sido em Tomar. Viria a falecer com 81 anos no Funchal, a 21 de novembro de 1471.
É filho de Gonçalo Esteves Zarco e Beatriz Annes de Santarém.
Desde novo que abraça a carreira marítima e comanda caravelas que guardam as costas do Algarve.
Antes de se dedicar à exploração marítima, João Gonçalves Zarco esteve na conquista de Ceuta, no norte de África, em 1415, sendo nomeado cavaleiro fidalgo da Casa do Infante.
Já por terras luas, é o primeiro a se oferecer ao Infante D. Henrique, para o apoiar nas viagens, quando este se lança no caminho das explorações marítimas.
Assim, em 1418, o Infante prepara uma caravela e entrega-a a João Gonçalves Zarco e a Tristão Vaz Teixeira com a missão de encontrar terras desconhecidas ou ilhas que já aparecem nos mapas.
Depois de alguns dias de viagem, João Gonçalves Zarco, e, ao que diz a lenda, após uma grande tempestade, chega à ilha que chama de Porto Santo, precisamente por os ter abençoado na bonança.
Com a novidade, regressa ao Continente para dar a boa nova a D. Henrique, que acolhe bem a notícia e sente necessidade de colonizar.
Desta forma, ordena a João Gonçalves Zarco e a Trintão Vaz Teixeira que voltem ao Porto Santo. Com eles segue Bartolomeu Perestrelo.
A nova viagem permite que cheguem à outra ilha, numa viagem em que saem do Porto Santo a 1 de julho de 1419, chegando à Madeira no mesmo dia, ao extremo leste da Madeira, num lugar que vem a chamar-se Ponta de São Lourenço, devido ao facto da caravela em que seguem se chamar 'S. Lourenço'.
João Gonçalves Zarco, uma figura central no período das Descobertas, é encarregado por D. Henrique da administração e povoamento da ilha onde viria a obter o apelido Câmara.
Participa na conquista de Ceuta (1415) e no cerco de Tânger (1437), ambos no norte de África, tendo sido armado Cavaleiro nessa última campanha.
Em 1425, regressa à Madeira para iniciar o povoamento.
Em 1440, a ilha é dividida em duas capitanias: a do Funchal, entregue a João Gonçalves Zarco, e a de Machico, concedida a Tristão Vaz Teixeira.
Além de Cavaleiro Fidalgo da Casa do Infante, é nomeado para a administrar, tornando-se o primeiro Capitão-Donatário do Funchal
A sua administração é marcada pela visão e pragmatismo, contribuindo para o desenvolvimento económico da região. Incentiva a plantação de cereais, cana-de-açúcar e vinhas, que rapidamente se tornam pilares da economia madeirense.
O seu apelido "Zarco" e o "da Câmara" que se junta aos seus descendentes, perpetuam a linhagem que governa a capitania durante gerações.
João Gonçalves Zarco casa-se com Constança Rodrigues de Almeida ou Constança Rodrigues de Sá e Colonna e têm sete filhos: João Gonçalves da Câmara, Rui Gonçalves da Câmara, Garcia Rodrigues da Câmara, Beatriz Gonçalves da Câmara, Isabel Gonçalves da Câmara, Helena Gonçalves da Câmara e Catarina Gonçalves da Câmara.
Vem a falecer no Funchal, em 1471, tendo sido sepultado na capela que mandara edificar, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, na capital madeirense.
Hoje, os seus restos mortais encontram-se sepultados no Convento de Santa Clara.
Comentários
Enviar um comentário