João Francisco de Almada nasce em Santana, na Madeira, a 9 de julho de 1874. Viria a falecer com 67 anos (faltavam apenas 25 dias para completar 68 anos) no Funchal, a 14 de junho de 1942.
É filho de João Francisco de Almada e de Maria Emília Cardoso de Almada. A família tem raízes na sociedade rural e administrativa do norte da ilha.
Casa a 23 de outubro de 1907 com Ilda Beatriz Pinto Prado e tem três filhos: Maria Prado de Almada, Manuel Prado de Almada e António Manuel Prado de Almada.
Depois de estudar no Liceu do Funchal, segue para o Continente para cursar Medicina.
Para o efeito, vai para a Faculdade de Medicina de Coimbra onde conclui a licenciatura a 26 de julho de 1899.
Em 1905, regressa à Madeira e à terra que o viu nascer, Santana, por ser nomeado subdelegado de saúde do concelho.
Em outubro desse ano, assume as funções de médico municipal da Câmara Municipal do Funchal. Por esse motivo, muda para a capital.
A sua carreira como médico ultrapassa o mero exercício da profissão. Isto porque, além de todo o mérito que qualquer médico tem na sua ação diária em prol do outro, João Francisco de Almada é o impulsionador da luta contra a tuberculose na Madeira.
A ele se deve a criação do primeiro dispensário de luta antituberculosa, no Campo da Barca, que vem a ser designado 'Centro Dr. Agostinho Cardoso', seu genro e também profissional da mesma área, o qual segue a mesma linha de luta contra a tuberculose, daí a razão do nome.
Mas há mais, pois tem um papel preponderante na instalação do 'Sanatório da Quinta de Santana', no Monte, inaugurado a 8 de dezembro de 1940. Destina-se ao internamento e tratamento de doentes tuberculosos.
A escolha do Monte não é casual: a altitude, o ar puro e a relativa afastamento do centro urbano correspondem aos critérios então associados ao tratamento da tuberculose. O sanatório torna-se uma referência na saúde pública regional.
Após a sua morte, a instituição passa a designar-se 'Sanatório Dr. João de Almada'. A 21 de julho de 1942, poucos meses depois do seu falecimento, assume oficialmente essa denominação em sua homenagem; é o antecessor do atual 'Hospital Dr. João de Almada'.
O seu dedo está, também, na mudança do 'Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Funchal' do centro, onde hoje está o Governo Regional, no quarteirão da esquina da Avenida Arriaga e da Avenida Zarco. Dali é transferido para os Marmeleiros, no Monte.
A mudança insere-se numa visão mais moderna da assistência hospitalar, com espaços mais amplos, salubres e adequados ao tratamento.
João Francisco de Almada desempenha ainda funções de diretor clínico do 'Hospital Princesa D. Amélia' e dos 'Manicómios Câmara Pestana' e 'Casa de Saúde do Trapiche'.
O seu trabalho é reconhecido pela comissão administrativa da Câmara Municipal, que o agracia, a 7 de dezembro de 1933, com o título de cidadão benemérito da cidade do Funchal.
Em 1937, recebe do Governo francês o grau de oficial da Academia, pelo papel como presidente da comissão na receção das missões médicas francesas que visitaram a Madeira em 1932 e 1936.
A sua memória está perpetuada no busto em bronze, obra do escultor Anjos Teixeira, de 1974, inaugurado a 22 de março de 1988 no pátio do Hospital Dr. João de Almada.
O seu nome fica ligado à Quinta Grande, em Câmara de Lobos, pois, a 9 de julho de 1998, está num arruamento, no Caminho Dr. João Francisco de Almada. A razão acaba por homenagear a pessoa que é e o trabalho que desenvolve, mas acontece pelo facto de a Quinta do Pomar, naquela freguesia, ter sido propriedade familiar por via da sua esposa.
João Francisco de Almada representa a geração de médicos madeirenses do início do século XX que transformam a saúde pública regional. Não se limita à clínica: cria estruturas, mobiliza instituições e
defende políticas de prevenção e tratamento da tuberculose.
O 'Sanatório da Quinta de Santana' é talvez a sua maior concretização, mas o seu legado inclui também a assistência psiquiátrica, a reorganização hospitalar e a defesa da Madeira como espaço terapêutico. Por isso, é hoje uma das figuras mais relevantes da história da medicina na Região Autónoma da Madeira
Morre no Funchal, na sua casa da Rua das Mercês, a 14 de junho de 1942.
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