nasce no Funchal a 8 de janeiro de 1857. Recebe o batismo a 8 de março desse ano, na Igreja Inglesa. Viria a falecer, com 91 anos, no dia 16 de abril de 1948.
É filho de William Hinton, que reside na Madeira desde 1841, e de Mary Wallas.
Depois de concluir os estudos em Inglaterra, regressa à Madeira.
Herda do seu pai a fábrica de açúcar do Torreão, fundada em 1845, e assume a direção da empresa 'William Hinton & Sons', com sede no Funchal.
Imprime um grande desenvolvimento na fábrica, tornando-a no maior complexo industrial da Madeira.
Amplia as instalações, adquire maquinaria moderna e introduz métodos para obter o maior rendimento da cana-de-açúcar, com os sistemas patenteados 'Hinton-Naudet' e 'Hinton-Marsden'. O primeiro, é destinado a obter o máximo de sacarose e, o segundo, visa melhorar a trituração da cana.
Entre 1895 e 1919, tem o monopólio do fabrico do açúcar e de álcool na Madeira. Uma realidade que provoca atritos no Parlamento e na imprensa.
Em 1945, a Fábrica do Torreão emprega 680 trabalhadores.
Está ainda ligado à criação de gado e produção de leite, à cultura da banana da Madeira e ao fabrico de tabaco, com a 'Empresa Madeirense de Tabaco', fundada em 1913.
Henry Hinton compra outras fábricas e expande os negócios a diferentes territórios fora da Madeira, designadamente em Angola, onde vive algum tempo e onde funda e é principal acionista da 'Sociedade Agrícola de Cassequel'.
No desporto, apoia os clubes Marítimo, o União, o Nacional e o Sporting da Madeira. Neste particular, suporta de forma particular o 'Club Sport Marítimo', que o nomeia presidente honorário e, em 1942, o distingue como sócio de 1.ª Classe Leão de Ouro, galardão nunca antes atribuído.
Uma referência especial pelo facto de estar ligado à introdução do futebol em Portugal. Isto porque trazido de Inglaterra para a Madeira um primeira bola de futebol, em 1875. Nesse ano são dados os primeiros pontapés no campo da Achada, na Camacha.
Por essa razão, em 1948, a Câmara Municipal de Santa Cruz manda erigir um monumento para perpetuar a efeméride.
Como curiosidade, referir que nos anos 20 do séc. XX, Henry Hinton patrocina a 'Taça Hinton', que opõe o campeão regional contra a formação com os melhores jogadores das restantes equipas.
Henry Hinton doa avultadas quantias a obras de apoio a quem mais necessita.
Auxilia a construção do preventório de assistência aos tuberculosos de S.ta Isabel, do Hospital Sanatório Dr. João de Almada e do hospital da Santa Casa da Misericórdia do Funchal.
O empreendedor benemérito contribui também para a reconstrução e melhoramentos de igrejas, como acontece com a oferta do relógio à igreja de Santo António, no âmbito das obras realizadas entre 1922 e 1928.
Junta-se a este apoio a aquisição, o restauro e a despesa com o culto da Capela da Consolação.
Incansável, compra e coleciona obras literárias acerca da Madeira, que passam para a 'Biblioteca Municipal do Funchal'.
Além da livraria, enriquece o espólio do 'Museu Municipal', a quem oferece uma espada que julgam ter pertencido a João Gonçalves Zarco, comprada à família Cossart.
Restaura a janela de Colombo, que coloca na sua Quinta da Palmeira. Um espaço onde recebe personalidades nacionais e estrangeiras, entre as quais D. Carlos I, Rei de Portugal, de quem é amigo, Alberto I, príncipe do Mónaco, Nicolau Maximiliano, 4.º duque de Leuchtenberg, e Luís Amadeu de Saboia, duque de Abruzos.
Ainda com a República a dar os primeiros passos em Portugal Henry Hinton é acusado pela imprensa e por membros do Parlamento como um manobrador.
Deste modo, é sem estranhesa que, em 1915, o diretor da Polícia de Investigação Criminal de Lisboa quer saber informações acerca da sua relação com o ministro José Relvas.
Em 1934, o governo nacional reconhece o desempenho de Henrry Hinton. Por isso, condecora-o com o grau de comendador da Ordem de Cristo e, em 1939, com o de grande oficial da Ordem de Mérito Industrial.
Em 1947, recebe da monarquia inglesa o grau de oficial da Ordem do Império Britânico.
Henry Hinton falece a 16 de abril de 1948, sendo o seu funeral realizado no dia seguinte. Estão presentes autoridades civis e militares, tais como governador de distrito interino, José Leite Monteiro, e Ernesto Honorato Ferreira, em representação da Câmara Municipal do Funchal.
Na hora da despedida contam-se ainda delegações dos bombeiros madeirenses, dos bombeiros municipais, dos alunos da Escola de Artes e Ofícios, assim como empregados da Fábrica do Torreão.
Os seus restos mortais vão para o Cemitério Britânico e ficam depositados no jazigo de família.
Em sinal de pesar, alguns estabelecimentos comerciais e industriais da cidade Mantêm as portas semicerradas.
Por seu turno, a Associação Comercial do Funchal, o Marítimo, o União, o Nacional e Sporting da Madeira colocam as respetivas bandeiras a meia haste.
Henry Hinton casa duas vezes.
A primeira vez, contrai matrimónio com Henriette Wilhelmina Montgomery, filha de Henry Montgomery e viúva de Charles George Henry Cadogan.
A segunda vez, casa com Isabel da Câmara e Vasconcelos do Couto Cardoso, filha do morgado Luís de Vasconcelos e Couto Cardoso de Bettencourt e de Ifigénia Meneses da Câmara Bettencourt Noronha de Vasconcelos.
Isabel fora casada com John Frothigham Welsh, de quem enviuva e tem um filho, George Welsh. Curiosamente, pelo facto de Henry Hinton, não ter filhos, George Welsh torna-se o seu herdeiro.
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