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Apresentados

Bernardo Francisco Lobato Machado

O causídico com escrita contundente Bernardo Francisco Lobato Machado nasce na Madeira, em 1802. Viria a falecer no Funchal a 20 fevereiro de 1878. Faz os estudos liceais e sobressai pelo empenho nas questões políticas e sociais. Desenvolve a atividade de advogado e igualmente de jornalista. Fica conhecido por ser um hábil causídico com trabalhos desenvolvidos e por outras publicações na sua área profissional, como o Formulário de todos os Autos, Termos, Certidões e Despachos dum Inventário.  Faz parte da classe dos advogados provisionistas. São profissionais que preenchem a falta de bacharéis formados em direito e, mesmo sem as habilitações legais, preenchem o vazio de formados em direito, valendo-se das suas capacidades intelectuais e capacidade de trabalho. No jornalismo,  Lobato Machado  deixa também a sua marca por não ter travão na sua escrita, que lhe traz dissabores e necessidade de retratar-se não raras vezes. Publica no jornal semanal 'A Vergasta', de que é o r...

Braheem Abdo Kassab

O empresário sírio apaixonado pela Madeira


Braheem Abdo Kassab
nasce em Damasco, na Síria, a 18 de novembro de 1891. Viria a falecer no Funchal, a 26 de junho de 1980. 
É filho de Abdo Kassab, comerciante, natural da capital síria, e de Mareeta Rais, professora na escola da missão protestante inglesa na Síria, natural do Líbano. 

Tem os negócios a correrem nas veias. 
Dedica-se à exportação de bordados, adquiridos em Itália, para os Estados Unidos da América, onde tem a 'Kassab Brothers', na 5.ª avenida de Nova Iorque, constituída pelos sócios Najeeb Kassab, Braheem Kassab e Farid Haddad, sobrinho. 
Najeeb Kassab inicia o negócio dos bordados em Florença, em Itália e, depois, a 'Kassab Brothers' tem loja em Beirute e mantém negócios em Londres, Palestina e no Cairo, até ser dissolvida em 1973.

No entanto, em novembro de 1916, depois de uma deslocação de negócios aos Estados Unidos da América, concretamente de Nova Iorque, regressa à Europa.
Mas, o mau tempo troca a rota traçada obrigando o navio em que viaja a fazer um desvio para o Funchal, a capital de uma ilha que não lhe diz nada.

Contudo, ao passear pela cidade à espera que a tempestade se dissipe, vê muitas lojas de souvenirs. E, em muitas delas há um denominado comum, além das lembranças de viagens, por serem de empresários sírio-libaneses.
Da conversa entabulada, tocam as campainhas do negociante sírio, pois verifica que o bordado produzido na Madeira é semelhante ao italiano, mas tem a particularidade de custar muito menos.
Não demora tempo até criar uma empresa na Madeira. Está no Funchal dois anos depois. Surgem, assim, a 'Mallouk & Kassab' e a 'B. A. Kassab'.


Braheem Kassab, mais conhecido por B. A. Kassab, é moreno, porte atlético, 1,60 m de altura, olhos esverdeados, cabelo castanho, bigode e boca pequena.

No estrangeiro, no final dos anos 20, Braheem Kassab abre uma loja no Quebec, Canadá, a 'Madeira Embroideries Importing Company', que vem a fechar em 1934. 

Na Madeira, em meados da década de 30, o crescimento da procura pelo bordado, sobretudo no mercado norte-americano, faz com que falte mãos habilidosas para os pontos com o linho.

Em 1938, Braheem Kassab aposta, também, nos Açores. Cria a 'B. A. Kassab – Açores', onde bordam, igualmente.

No Funchal, com uma prespetiva de negócio, compra terrenos para construir um complexo balnear, a que chama Lido e que abre em 1933.

No vinho Madeira, reúne uma notável coleção particular, com garrafas históricas que hoje são objetos de referência em leilões internacionais. Investe na compra de lotes de vinho raro da Madeira, dos quais ainda existem exemplares muito valorizadas no mercado com a chancela 'B. A. K.'.
Entre os vinhos associados ao seu nome estão exemplares raríssimos de Sercial de 1808 e Malvasia de 1830.
A prova do valor dos vinhos colecionados está, por exemplo, num leilão da Christie’s, em Nova Iorque, em 2014, quando uma garrafa de 1715, é vendida por cerca 27 mil dólares.

Na sua diversificação de investimentos, o empresário sírio financia, em 1941, a construção da Estrada Nacional n.º 1, no lanço entre São Vicente e o Seixal. Contudo, uma derrocada fatal leva a que tudo fique sem efeito.

Por aquelas alturas, Braheem Kassab compra cerca de 2 milhões de m2 no montado da Rocha Vermelha, que integra parte do Fanal e confronta com as 25 Fontes, no Rabaçal.
Posteriormente, adquire o Montado dos Pessegueiros, no Seixal e em São Vicente. Tem cerca de 6 milhões de m2. Ali fabrica carvão e manteiga, explora madeiras, gado e vinhas. 
Contudo, o montado é expropriado pelo Governo Regional em 1976 por ser a área mais importante do Parque Natural da Madeira. 
Não satisfeito com a decisão, interpõe uma ação judicial para garantir os seus investimentos nas suas herdades no que é hoje o Parque Natural da Madeira.
Por essa altura, Braheem Kassab acaba por ter interesses, por laços familiares, em Haifa, que, então pertence à Palestina. Mas, os prédios são ocupados em 1948 e confiscados por Israel em 1954. 
Mais uma vez, não baixa os braços e luta pelos os seus direitos. Recorre aos tribunais israelitas e ganha a ação em 1977. 

Na Madeira, compra e explora a 'Fábrica de Sabão e Velas Conceição', e adquire a 'Electro Reparadora'.

Em 1949, Braheem Kassab casa, em Nova Iorque, com Maria Clara de Andrade, nascida a 23 de agosto de 1925, em São Vicente, na Madeira. 
O casal tem dois filhos: Braheem Alexander Kassab e Edward Michael Kassab e de dois netos: Jaqueline Clara e Eduardo Miguel, todos naturais da ilha da Madeira. 

Para a história, Braheem Kassab é um empresário de sucesso, valendo-lhe, em 1930, a atribuição de uma medalha de mérito no Funchal, na Exposição Agrícola, Pecuária e Industrial. 
Apesar de nunca renunciar à nacionalidade síria, adota a Madeira como sua terra de eleição, na qual reside durante 64 anos.

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