Alberto João Jardim
O presidente que tira a Madeira da escuridade

Filho único de Alberto Gonçalves Jardim e Marceliana do Patrocínio de Jesus Cardoso, perde o pai aos 11 anos.
Em 1978, Alberto João Jardim é eleito presidente do PPD Madeira.
Além de presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim desempenha outros papéis importantes, como Conselheiro de Estado: por inerência do cargo de presidente do governo, membro do Conselho de Defesa da República Portuguesa e vice-presidente do Partido Popular Europeu (entre 2003 e 2007).
Após deixar o cargo, permanece ativo no cenário político e frequentemente partilha as suas opiniões sobre a política regional e nacional através de colunas de opinião e entrevistas.
Daí que, apesar de se ter retirado da política ativa, continua a ser uma figura influente e controversa na Madeira, mantendo-se no espaço público como comentador e autor.
Durante a juventude tem contacto com organizações do Estado Novo, nomeadamente a 'Mocidade Portuguesa', uma instituição obrigatória para os jovens portugueses, criada pelo regime em 193. O objetivo passa por incutir nos jovens os ideais do regime, como o patriotismo, a ordem e a disciplina, e prepará-los, no caso dos rapazes, para o serviço militar.
Faz os estudos liceais no Funchal.
Em 1961, aos 18 anos, Alberto João Jardim profere um discurso público no aniversário de António de Oliveira Salazar. Nesse mesmo ano parte para Lisboa, para frequentar o curso de Direito. Sem pressa, conclui a formação na Universidade de Coimbra, em 1973.
Durante o tempo na faculdade, envolve-se em atividades políticas e estudantis, que acabam por ser achegas e bases das suas orientações políticas.
Cumpre o serviço militar obrigatório como oficial de Ação Psicológica. Desempenha funções em Lisboa e na Madeira.
Depois, trabalha brevemente como advogado e professor nos ensinos técnico e secundário, na Escola Industrial e Comercial do Funchal (hoje Escola Secundária Francisco Franco).
É jornalista e colabora no jornal 'Voz da Madeira', tendo vindo a dirigir o 'Jornal da Madeira'.
Esta atividade contribui para o estilo público combativo, direto e frequentemente polémico.
O início da carreira política de Alberto João Jardim está ligado ao movimento autonomista da Madeira.
Em 1974, depois da revolução do 25 de Abril, que derruba o regime ditatorial em Portugal, junta-se ao Partido Popular Democrata (hoje PSD).
É um dos fundadores do PPD, criado a 6 de maio de 1974. É também cofundador do PPD na Madeira, que nasce em agosto do mesmo ano.
É um dos fundadores do PPD, criado a 6 de maio de 1974. É também cofundador do PPD na Madeira, que nasce em agosto do mesmo ano.
Em 1976, torna-se diretor do Centro de Formação Profissional da Madeira.
Em 1978, Alberto João Jardim é eleito presidente do PPD Madeira.
No ano seguinte, assume o cargo de presidente do Governo Regional da Madeira, sucedendo a Jaime Ornelas Camacho.
Ocupa o cargo por mais de três décadas, entre 16 de março 1978 e 20 de abril 2015.
No dia em que toma posse profere a frase: “A Madeira será o que os madeirenses quiserem”.
Preside a 10 Governos Regionais, sempre com maiorias absolutas, saídas das eleições de 1978, 1980, 1984, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2007 e 2011.
Entre eleições Regionais, Autárquicas, Europeias, Presidenciais e Legislativas Nacionais conquista para o PSD Madeira 46 vitórias eleitorais.
Durante a sua presidência, assume um posicionamento muito crítica contra o governo central na defesa dos interesses da Madeira.
Consegue consideráveis fundos europeus para a Região Autónoma da Madeira. Mas, não há sem senão. Uma vez que os investimentos de Bruxelas obrigam a uma componente pública para obter o cofinanciamento, não se livra das críticas pela gestão financeira muito deficitária, com acumulação de dívida pública galopante.
Seja como for, AJJ concretiza a modernização das infraestruturas da Madeira, promovendo a construção de estradas, túneis, portos e aeroportos, o que contribuiu para o desenvolvimento económico e turístico da região.
Em 2015, depois de 37 anos no poder, considera que já chega e decide não se candidatar à reeleição, depois de ser um dos chefes de governo democraticamente eleitos com a mais longa permanência no poder em todo o mundo.
Em 2015, depois de 37 anos no poder, considera que já chega e decide não se candidatar à reeleição, depois de ser um dos chefes de governo democraticamente eleitos com a mais longa permanência no poder em todo o mundo.
Além de presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim desempenha outros papéis importantes, como Conselheiro de Estado: por inerência do cargo de presidente do governo, membro do Conselho de Defesa da República Portuguesa e vice-presidente do Partido Popular Europeu (entre 2003 e 2007).
Após deixar o cargo, permanece ativo no cenário político e frequentemente partilha as suas opiniões sobre a política regional e nacional através de colunas de opinião e entrevistas.
Daí que, apesar de se ter retirado da política ativa, continua a ser uma figura influente e controversa na Madeira, mantendo-se no espaço público como comentador e autor.
Alberto João Jardim publica obras de reflexão política e memórias, como 'Relatório de Combate' (2017), um livro com mais de 800 páginas em que revisita quatro décadas de atividade política e a relação entre a Madeira e Lisboa e o processo autonómico.
Escreve, ainda, 'Diz Não!' (2018) e o romance 'A Senhora e a Ilha' (2021), focado numa visão sobre o futuro da Madeira.
A estes juntam-se compilações de intervenções políticas, tais como 'Tribuna Livre', 'Pela Autonomia e o Desenvolvimento Integral' e 'A Experiência da Autonomia Regional da Madeira'.
Recebe diversas distinções, incluindo a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, e é também distinguido com um doutoramento 'honoris causa' em Ciências Políticas.
O seu legado fica marcado pelo desenvolvimento regional e o estilo de liderança que grangeia muita admiração.
O jardinismo caracteriza-se por uma defesa intensa da autonomia política e administrativa da Madeira, pelos confrontos com Lisboa e pelo forte investimento em infraestruturas rodoviárias, equipamentos públicos, escolas, saúde e obras de modernização.
Fica marcado ainda por uma relação política muito próxima com as populações e instituições regionais, uma comunicação pública marcada por discursos contundentes e críticas aos adversários e uma liderança prolongada, centralizadora e fortemente personalizada.
Quanto a principais obras que deixa no seu legado, a transformação na região é tão extensa que, segundo um balanço divulgado em 2015, são realizadas cerca de 4.800 inaugurações entre 1978 e 2014, onde a rede rodoviária sobressai como o setor mais visível do chamado “desenvolvimento da Madeira Nova”, como chama ao tempo que lidera os governos.
Neste âmbito, temos a via rápida que passa a ligar grande parte da costa sul e zonas do interior, reduzindo drasticamente os tempos de viagem entre o Funchal, o aeroporto e os concelhos orientais e ocidentais.
Entre os principais troços destacam-se: Funchal–Aeroporto; Funchal–Caniço–Machico; Machico–Caniçal; Funchal–Ribeira Brava e Ribeira Brava–Ponta do Sol e Madalena do Mar.O eixo Ribeira Brava–Caniçal atinge cerca de 44 quilómetros e torna-se uma das principais estruturas rodoviárias da ilha.
São igualmente construídas vias expresso para melhorar as ligações entre concelhos e freguesias, sobretudo nas zonas norte e oeste. No referido balanço apresentado em 2015 AJJ refere 8 vias expresso, com aproximadamente 82 quilómetros, onde há a evidenciar: Machico–Faial; Faial–Santana–São Jorge; Calheta–Prazeres; Ribeira Brava–Meia Légua; Rosário–São Vicente; Seixal–Porto Moniz; Caniço–Camacha; ligações entre São Vicente e Porto Moniz.
A rede exigiu a construção de numerosos túneis, viadutos, pontes e muros de suporte, alterando profundamente a mobilidade na ilha.
A ampliação do Aeroporto da Madeira, inaugurada em 15 de setembro de 2000, é uma das obras mais emblemáticas do período de Alberto João Jardim.
A pista passa a ter 2.781 metros, com uma parte significativa construída sobre o mar, apoiada em cerca de 180 pilares.
A intervenção permite a operação de aviões de maior dimensão e é considerada decisiva para o crescimento do turismo e para a melhoria da conetividade aérea da Madeira.
A obra inclui também a remodelação e ampliação da aerogare.
A obra inclui também a remodelação e ampliação da aerogare.
O investimento é então estimado em mais de 100 milhões de contos, aproximadamente 500 milhões de euros na conversão frequentemente utilizada nas referências da época.
No Porto Santo, são ainda realizadas obras de ampliação da pista e construída uma nova aerogare.
No Porto Santo, são ainda realizadas obras de ampliação da pista e construída uma nova aerogare.
Os governos de Alberto João Jardim investem igualmente na modernização dos portos comerciais, pesqueiros e de recreio.
Entre as intervenções mais importantes destacam-se a expansão e modernização do Porto do Caniçal; a melhoria das estruturas portuárias do Funchal; os portos e abrigos marítimos em vários concelhos; as marinas e infraestruturas náuticas; as obras de proteção costeira; e a melhoria dos equipamentos para a pesca e para a movimentação de mercadorias.
No balanço de 2015 é apontado para um investimento de 441 milhões de euros em cerca de meia centena de infraestruturas marítimo-portuárias.
No balanço de 2015 é apontado para um investimento de 441 milhões de euros em cerca de meia centena de infraestruturas marítimo-portuárias.
Realce para o facto do Porto do Caniçal ganhar importância como principal infraestrutura regional para as mercadorias, contribuindo para descongestionar o porto do Funchal e separar progressivamente as funções comerciais das turísticas. O Porto do Funchal fica unicamente para navios de cruzeiros e para o ferry.
Na Educação, a construção e renovação de escolas é outra das grandes áreas de investimento.
Durante este período são criadas ou remodeladas numerosas escolas básicas, secundária e profissionais; bibliotecas; pavilhões gimnodesportivos e refeitórios e outros equipamentos escolares.
São construídas cerca de 200 novas escolas durante o período de governação de Jardim.
Entre as obras destacadas encontram-se a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Bartolomeu Perestrelo e a Escola Secundária do Campanário.
O próprio Alberto João Jardim afirma que a educação é uma das áreas pelas quais sentia maior realização política, alegando ter construído mais de metade das escolas existentes na Região.
Na área da saúde, são construídos e modernizados centros de saúde em praticamente todos os concelhos.
O balanço apresentado em 2015 menciona 51 centros de saúde em 54 freguesias.
Também são feitas intervenções em hospitais e unidades especializadas, incluindo a remodelação do Hospital João de Almada; a ampliação e modernização de unidades hospitalares do Funchal; a criação de centros de saúde locais; a instalação de serviços de apoio médico e de enfermagem em zonas rurais; e o reforço da rede de cuidados primários.
A expansão da rede de saúde procura aproximar os serviços das populações, especialmente nas freguesias mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Nos primeiros anos da governação de Jardim, uma parte importante do esforço governativo concentra-se em infraestruturas básicas que ainda eram insuficientes em várias zonas rurais.
São desenvolvidas redes de abastecimento de água; de saneamento básico; derenagem de águas residuais; de eletrificação; de rega agrícola; e de captação e distribuição de água.
O próprio Alberto João Jardim resume esta prioridade numa sequência que começa pela luz, água e saneamento, antes da aposta nas grandes estradas e vias rápidas.
Estas obras têm particular impacto nas freguesias rurais e nas zonas montanhosas, onde muitas populações dependem de soluções locais e menos fiáveis.
Em relação à habitação social também teve uma dimensão significativa. Segundo o referido balanço, a Madeira passa a dispor de cerca de 14.800 habitações sociais, contra as 148 no início da autonomia regional.
O número total de alojamentos familiares clássicos duplicada durante o período considerado.
São construídos bairros sociais e habitações apoiadas em vários concelhos, para realojar famílias que vivem em condições precárias ou em zonas de risco.
São construídos bairros sociais e habitações apoiadas em vários concelhos, para realojar famílias que vivem em condições precárias ou em zonas de risco.
A governação de Alberto João Jardim apoia a construção de uma extensa rede de equipamentos de proximidade, incluindo centros cívicos; casas da cultura; bibliotecas e arquivos; piscinas municipais; complexos desportivos; campos de futebol; polidesportivos; parques infantis; praças e jardins públicos; e equipamentos balneares.
Entre os projetos referidos encontram-se o 'Complexo para Natação Desportiva do Funchal', o 'Jardim Público do Torreão', a 'Casa da Cultura da Calheta' e o 'Fórum Machico–Frente Mar'.
São também criadas estruturas ligadas ao turismo e ao lazer, como o 'Parque Temático da Madeira', em Santana, o 'Campo de Golfe do Porto Santo' e várias praias artificiais e complexos balneares.
São também criadas estruturas ligadas ao turismo e ao lazer, como o 'Parque Temático da Madeira', em Santana, o 'Campo de Golfe do Porto Santo' e várias praias artificiais e complexos balneares.
Embora nem todas sejam obras públicas no sentido tradicional, algumas estruturas têm uma importância estratégica para a economia regional, como são os casos da ampliação aeroportuária; as marinas e os portos de recreio, os complexos balneares, o Parque Temático da Madeira Campo de Golfe do Porto Santo; Parques empresariais e Zona Franca da Madeira, que entra em funcionamento em 1984 e é apresentada pelo Governo Regional como instrumento para atrair investimento externo, diversificar a economia e aumentar as receitas fiscais. O tempo acaba por contrariar estes propósitos pela influência mais forte de outras praças, que levam o Estado português e Bruxelas a serem coniventes com as pretensões externas, sem nunca impor e afirmar a ZMM.
O seu governo tem um papel determinante depois da aluvião de 20 de fevereiro de 2010, promovendo obras de emergência e reconstrução de estradas, pontes, ribeiras, muros, habitações e infraestruturas afetadas.
A reconstrução tornou-se uma das últimas grandes frentes de obras públicas do período de Alberto João Jardim.
A reconstrução tornou-se uma das últimas grandes frentes de obras públicas do período de Alberto João Jardim.
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