Apresentados

Rita Pestana

A professora que gosta de concretizar



Rita Maria Dias Pestana Cachuxo nasce a 24 de setembro de 1953 no Seixal, uma freguesia pitoresca no norte da ilha da Madeira.
Antes do 25 de Abril de 1974, com 20 anos, já leciona na cave de uma capela nos Lameiros, Porto Moniz. A sala de aulas é daquelas escolas antigas, sem casa de banho. O recreio dos alunos é no adro da igreja.
Ensina a ler, a escrever, dá aulas ao primeiro ciclo, que na altura é o ensino primário.

No Porto Moniz chega a fazer três turnos: de manhã, à tarde e à noite, com adultos. 
Diz que é assim nos seus três primeiros anos a ensinar.
É pioneira na telescola. Está no segundo ano de serviço. 
Considera que é a oportunidade para muitos jovens, sobretudo dos meios rurais, fazerem o primeiro e o segundo anos do ciclo. 
A Telescola começa um ano antes do 25 de Abril, na reforma do ministro Veiga Simão.

No 25 de Abril vive numa casa sem luz. Não há televisão. O que a liga ao mundo é um rádio a pilhas. 
Lembra que nessa noite acorda para ouvir o "Grândola, Vila Morena". A senha do 25 de Abril.

O núcleo da Juventude Socialista do concelho surge de forma informal, na loja das batatas e do vinho, na casa dos pais.
Ao aderir ao Partido Socialista, Rita Pestana alia a atividade partidária à luta sindical, destacando-se na defesa de um estatuto para os professores, na organização de concursos regionais e noutras reivindicações que marcam a sua carreira. 
Participa, fazendo viagens sozinha, de noite, com receios, nas primeiras reuniões em que começam a pensar na criação do Sindicato dos professores da Madeira. Não participa na primeira direção. 
Acentua que os primeiros corpos dirigentes estão muito identificados com a UDP (que viria a corporizar, mais tarde, o Bloco de Esquerda). Por isso, só aparece mais tarde. 
Recorda a existência de um grupo de professores que não se identifica com a forma de dirigir o sindicato e decidem apresentar uma alternativa. 
Entre eles, constam professores e professores como Adília Andrade, Amélia Carreira, Luís Amado, o Raimundo Quintal. Um grupo mais moderado, próximo do PS, e alguns sem partido.
Rita Pestana é chamada a este grupo, numa altura em que já está no PS.

Na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), enfrenta a época das maiorias absolutas do PSD, onde, segundo refere, quase tudo o que a oposição apresenta é deitado fora. Não obstante, assume que, fora do parlamento, consegue alcançar muito mais.

Como professora e dirigente sindical, acompanha de perto a evolução da Educação na Madeira. Reconhece que, ao nível das infraestruturas, a realidade atual não tem comparação com as carências anteriores à Autonomia, embora lamente a falta de uma estratégia a longo prazo que fosse além do construir por construir.
No parlamento, Rita Pestana assume pelouros ligados à Educação, Assuntos Sociais e Administração Pública. Protagoniza momentos de debate intenso com a maioria social-democrata. 
Chega a ser líder parlamentar do PS numa época de fortes disputas políticas.

Após dois mandatos consecutivos, em 1996, opta por não integrar as listas do PS e regressa à escola. Esse período de afastamento da ALM é, segundo a própria, fundamental para perceber que se sente muito mais útil a dar aulas e a conseguir coisas para os professores do que enquanto deputada.
Faz o curso de especialização e dá aulas na Quinta do Leme.

No ano 2000, aceita o convite de Mota Torres para integrar novamente a lista do PS e regressa ao parlamento.
É nessa legislatura que faz história ao ser eleita vice-presidente da Assembleia Legislativa, tornando-se a primeira mulher a exercer o cargo. Hoje reconhece que esse regresso à vida parlamentar pode ter sido um erro.
Depois, deixa o parlamento. Mas, o afastamento da política ativa não trava o seu dinamismo. 
Rita Pestana dirige o centro de formação do Sindicato dos Professores da Madeira e consegue superar um cancro de mama, curiosamente, diagnosticado quase em simultâneo com o da filha mais velha.
Esta experiência leva-a a dar o seu testemunho na Liga Portuguesa Contra o Cancro e a realizar cursos de voluntariado, dedicando-se ao apoio a doentes oncológicos.
Olhando para trás, Rita Pestana admite que gostou muito de estar na política. Deixa claro que ninguém a obrigou.
Contudo, hoje, se lhe perguntam o que é que lhe deu mais gosto, mais prazer, responde que é o sindicato, onde consegue concretizar coisas para dar aos professores. 
Ao invés, na Assembleia, por mais que trabalhasse, passando noites inteiras a trabalhar as intervenções para o dia seguinte, era igual ao litro porque ia tudo para o caixote do lixo.
A cerca do seu partido, não tem dúvidas que falta unir o PS. E justifica com um exemplo, referente ao último congresso, em 2026, que elege a atual presidente, para o qual nem sequer é convidada. 
Entende que deverem congregar todos e sublinha que, no seu caso, já não faz sombra a ninguém, porque não quer mais nada com a política. No entanto, entende que poderia dar algum contributo.

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