Rita Pestana
A professora que gosta de concretizar
Antes do 25 de Abril de 1974, com 20 anos, já leciona na cave de uma capela nos Lameiros, Porto Moniz. A sala de aulas é daquelas escolas antigas, sem casa de banho. O recreio dos alunos é no adro da igreja.
Ensina a ler, a escrever, dá aulas ao primeiro ciclo, que na altura é o ensino primário.
No Porto Moniz chega a fazer três turnos: de manhã, à tarde e à noite, com adultos.
Diz que é assim nos seus três primeiros anos a ensinar.
É pioneira na telescola. Está no segundo ano de serviço.
Considera que é a oportunidade para muitos jovens, sobretudo dos meios rurais, fazerem o primeiro e o segundo anos do ciclo.
A Telescola começa um ano antes do 25 de Abril, na reforma do ministro Veiga Simão.
No 25 de Abril vive numa casa sem luz. Não há televisão. O que a liga ao mundo é um rádio a pilhas.
Lembra que nessa noite acorda para ouvir o "Grândola, Vila Morena". A senha do 25 de Abril.
O núcleo da Juventude Socialista do concelho surge de forma informal, na loja das batatas e do vinho, na casa dos pais.
Ao aderir ao Partido Socialista, Rita Pestana alia a atividade partidária à luta sindical, destacando-se na defesa de um estatuto para os professores, na organização de concursos regionais e noutras reivindicações que marcam a sua carreira.
Participa, fazendo viagens sozinha, de noite, com receios, nas primeiras reuniões em que começam a pensar na criação do Sindicato dos professores da Madeira. Não participa na primeira direção.
Acentua que os primeiros corpos dirigentes estão muito identificados com a UDP (que viria a corporizar, mais tarde, o Bloco de Esquerda). Por isso, só aparece mais tarde.
Recorda a existência de um grupo de professores que não se identifica com a forma de dirigir o sindicato e decidem apresentar uma alternativa.
Entre eles, constam professores e professores como Adília Andrade, Amélia Carreira, Luís Amado, o Raimundo Quintal. Um grupo mais moderado, próximo do PS, e alguns sem partido.
Rita Pestana é chamada a este grupo, numa altura em que já está no PS.
Rita Pestana é chamada a este grupo, numa altura em que já está no PS.
Na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), enfrenta a época das maiorias absolutas do PSD, onde, segundo refere, quase tudo o que a oposição apresenta é deitado fora. Não obstante, assume que, fora do parlamento, consegue alcançar muito mais.
Como professora e dirigente sindical, acompanha de perto a evolução da Educação na Madeira. Reconhece que, ao nível das infraestruturas, a realidade atual não tem comparação com as carências anteriores à Autonomia, embora lamente a falta de uma estratégia a longo prazo que fosse além do construir por construir.
No parlamento, Rita Pestana assume pelouros ligados à Educação, Assuntos Sociais e Administração Pública. Protagoniza momentos de debate intenso com a maioria social-democrata.
No parlamento, Rita Pestana assume pelouros ligados à Educação, Assuntos Sociais e Administração Pública. Protagoniza momentos de debate intenso com a maioria social-democrata.
Chega a ser líder parlamentar do PS numa época de fortes disputas políticas.
Após dois mandatos consecutivos, em 1996, opta por não integrar as listas do PS e regressa à escola. Esse período de afastamento da ALM é, segundo a própria, fundamental para perceber que se sente muito mais útil a dar aulas e a conseguir coisas para os professores do que enquanto deputada.
Faz o curso de especialização e dá aulas na Quinta do Leme.
No ano 2000, aceita o convite de Mota Torres para integrar novamente a lista do PS e regressa ao parlamento.
É nessa legislatura que faz história ao ser eleita vice-presidente da Assembleia Legislativa, tornando-se a primeira mulher a exercer o cargo. Hoje reconhece que esse regresso à vida parlamentar pode ter sido um erro.
Depois, deixa o parlamento. Mas, o afastamento da política ativa não trava o seu dinamismo.
Rita Pestana dirige o centro de formação do Sindicato dos Professores da Madeira e consegue superar um cancro de mama, curiosamente, diagnosticado quase em simultâneo com o da filha mais velha.
Esta experiência leva-a a dar o seu testemunho na Liga Portuguesa Contra o Cancro e a realizar cursos de voluntariado, dedicando-se ao apoio a doentes oncológicos.
Olhando para trás, Rita Pestana admite que gostou muito de estar na política. Deixa claro que ninguém a obrigou. Esta experiência leva-a a dar o seu testemunho na Liga Portuguesa Contra o Cancro e a realizar cursos de voluntariado, dedicando-se ao apoio a doentes oncológicos.
Contudo, hoje, se lhe perguntam o que é que lhe deu mais gosto, mais prazer, responde que é o sindicato, onde consegue concretizar coisas para dar aos professores.
Ao invés, na Assembleia, por mais que trabalhasse, passando noites inteiras a trabalhar as intervenções para o dia seguinte, era igual ao litro porque ia tudo para o caixote do lixo.
A cerca do seu partido, não tem dúvidas que falta unir o PS. E justifica com um exemplo, referente ao último congresso, em 2026, que elege a atual presidente, para o qual nem sequer é convidada.
Entende que deverem congregar todos e sublinha que, no seu caso, já não faz sombra a ninguém, porque não quer mais nada com a política. No entanto, entende que poderia dar algum contributo.

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