O homem das contas certas
Jorge Domingos de Jesus nasce na freguesia de Santa Maria Maior, concelho do Funchal, a 6 de julho de 1931. É o primeiro de 11 irmãos. Vem a falecer a 1 de janeiro de 2026.
Cedo o jovem Jorge é forçado a crescer sem tempo para a transição da infância.
Aos 12 anos, quando a maioria dos rapazes apenas sonha com o futuro, ele olhou para as dificuldades da sua casa, para o desemprego do pai e para o declínio da mercearia da família, e tomou uma decisão de uma maturidade avassaladora: pediu para trabalhar.
Uma semana antes de completar 13 anos, Jorge Jesus entrava no mercado de trabalho.
Começa como praticante de escritório por um salário simbólico.
O trabalho diurno conciliava-se com o estudo noturno na Escola Industrial e Comercial do Funchal. Sai do escritório e desce a Rochinha a correr para chegar a tempo das aulas. Muitas vezes, vão até à meia-noite, de segunda-feira a sábado.
Assume o papel de "chefe dos irmãos".
Organiza a casa, salda as dívidas da família com o que ganha. Mais tarde, através de um sistema próprio, assegura que todos os irmãos que queiram estudar além da 4.ª classe tenham os meios para o fazer. Jorge adia os seus sonhos e a constituição da sua própria família até ter a certeza de que a sua missão de irmão mais velho está cumprida.
Conclui o Curso Complementar de Comércio na Escola Industrial e Comercial António Augusto de Aguiar.
O jovem que preferiu ganhar menos na Papelaria Condessa só pelo prazer e ambição de "mexer em papéis e faturas" , transforma-se no aluno mais brilhante do curso comercial.
Em 1948, ingressa na empresa João Teixeira dos Santos, Lda., e inicia a carreira que pretende trilhar. Nesse ano, começa a exercer Contabilidade em nome individual, com duas escritas.
Tem o condão de sempre transformar as oportunidades em enriquecimento do seu conhecimento e crescimento profissional.
Em 1955, liga-se ao setor da panificação ao tornar-se Guarda-Livros da União dos Industriais de Panificação, Lda., setor ao qual se manteve próximo mesmo depois de se estabelecer por conta própria. Permanece nessa empresa até que alguns dos sócios o propuseram para responsável pela escrituração e contabilidade da Sociedade Mercantil Insular, Lda., trabalho que inicia em 1957.
A sua carteira de clientes próprios cresce com os contatos adquiridos neste meio empresarial.
Em 1963, a publicação do decreto-lei do Código da Contribuição Industrial permiti-lhe transitar para o regime livre na U.I.P., que cria a figura do técnico de contas, lugar que ocupa até às mudanças impostas pela Revolução de Abril de 1974, que puseram termo a esta associação.
Em 1982, é sócio da E.P.D.M. (Empresa de Processamento de Dados da Madeira, Lda.), que integra, para além de si próprio em nome individual, a Empresa Previsão.
Em 1993, constitui a ECAM – Empresa de Consultoria e Assessoria Empresarial da Madeira, Lda., que desde então tem desenvolvido a sua atividade na prestação de serviços de contabilidade e assessoria a empresas na Região.
É membro da APOTEC – Associação Portuguesa de Técnicos de Contabilidade desde 1977.
No campo cívico e social, integra os órgãos sociais de diversos clubes e associações, sendo dirigente e tesoureiro do Futebol Clube Bom Sucesso (1954-1958); membro da direção do Clube Naval do Funchal (1980) e sócio do Clube Futebol União desde a década de 1950.
Integra as associações de pais das escolas onde estudaram os seus filhos, nomeadamente a Associação de Pais do Colégio Salesiano, motivo que o leva a integrar o grupo de pais de alunos que se mobilizou para criar uma escola de orientação religiosa de ensino secundário, que viria a ser a APEL.
Torna-se membro da Academia do Bacalhau, tendo sido entronizado pelo núcleo da Madeira por ocasião do congresso internacional realizado em Joanesburgo em 2009.
É associado da Associação de Socorros Mútuos 4 de Setembro de 1862.
Comentários
Enviar um comentário