O fundador do "Diário de Notícias"
Alfredo César de Oliveira nasce em Santa Cruz, a 22 de maio de 1840.
Durante a juventude, frequenta o Liceu Nacional do Funchal. Ingressa, mais tarde, no Seminário Diocesano para cursar Teologia e seguir a vida religiosa.
A sua estreia nas missas dá-se em Santa Cruz, ainda como diácono, durante a solenização do casamento do rei D. Luís I com D. Maria Pia de Saboia.
Obtém a carta de pregador em novembro de 1864.
No ano seguinte é promovido à ordem de presbítero. Recebe a carta de vice-vigário da igreja paroquial de Santa Maior e torna-se professor substituto do curso de Teologia do Seminário.
Com apenas 34 anos, alcança o cargo de vigário-geral e assume, simultaneamente, o governo do bispado no impedimento do vigário capitular.
É nessa fase de maturidade e proximidade com a informação que decide realizar uma série de conferências para combater a propaganda protestante que começava a expandir-se na Madeira.
A par da vocação religiosa, desenvolve um forte gosto pelo jornalismo e pela literatura.
É redator do "Arquivo Literário", publica sermões em folhetos e colabora ativamente com periódicos de relevo como a "Imprensa Livre", "Revista Semanal", "Aurora do Domingo" e "Crença de Lisboa".
Em 1872, cria o periódico "A Lâmpada".
Poucos anos depois, a 11 de outubro de 1876, funda o "Diário de Notícias", em parceria com o escritor madeirense João de Nóbrega. É o momento decisivo da sua faceta jornalística.
Embora Alfredo César de Oliveira tenha ligações políticas ao Partido Progressista, assume desde o primeiro momento um compromisso com a isenção e a independência editorial.
O fundador do Diário defende que "a imprensa não deve prestar-se ao desafogo de paixões individuais, nem a lutas estéreis que não podem dar outro resultado senão envilecer os combatentes."
Sob a sua direção, o jornal assume a missão de divulgar todas as iniciativas de relevo na Madeira, de forma totalmente independente da cor política vigente.
A sua forte influência social leva-o também à política ativa. É eleito deputado pelo círculo da Ponta do Sol, em 1878, e reeleito no ano seguinte.
Em 1880, a sua carreira toma um novo rumo, é transferido para a Sé de Évora.
Longe da Madeira, mantém viva a paixão pela escrita, fundando o jornal "Notícias d'Évora".
No campo literário, publica as obras "Uma noite num hotel" e "Mistérios do Funchal" (este último editado em formato de folhetim, nunca chegando a ser compilado em livro).
O Cónego Alfredo César de Oliveira falece em Évora, a 19 de abril de 1908, com 68 anos.
Fica um legado pioneiro que continua a moldar a história da imprensa na Região Autónoma da Madeira.
Acima de tudo, deixa uma marca indelével na sociedade madeirense que perdura até aos dias de hoje, estando o seu nome imortalizado na toponímia local.
Ninguém, na época, desconfia que aquele jovem viria a ser o mentor e fundador do "Diário de Notícias da Madeira", um órgão de comunicação que se aproxima agora do marco histórico do seu 150.º aniversário.
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