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Apresentados

Jorge Domingos Jesus

O homem das contas certas Jorge Domingos de Jesus nasce na freguesia de Santa Maria Maior, concelho do Funchal, a 6 de julho de 1931. É o primeiro de 11 irmãos. Vem a falecer a 1 de janeiro de 2026. Cedo o jovem Jorge é forçado a crescer sem tempo para a transição da infância.  Aos 12 anos, quando a maioria dos rapazes apenas sonha com o futuro, ele olhou para as dificuldades da sua casa, para o desemprego do pai e para o declínio da mercearia da família, e tomou uma decisão de uma maturidade avassaladora: pediu para trabalhar. Uma semana antes de completar 13 anos, Jorge Jesus entrava no mercado de trabalho.  Começa como praticante de escritório por um salário simbólico. O trabalho diurno conciliava-se com o estudo noturno na Escola Industrial e Comercial do Funchal. Sai do escritório e desce a Rochinha a correr para chegar a tempo das aulas. Muitas vezes, vão até à meia-noite, de segunda-feira a sábado.  Assume o papel de "chefe dos irmãos". Organiza a casa, salda as dí...

Manuel Tomás

O escritor da "Insulana"

Retrato de Manuel Tomás, inserido na sua obra "O Phoenix da Lusitania".

por: Paulo Camacho

Manuel Tomás nasce em Guimarães em 1585. 

Viaja para a Madeira onde se estabelece em 1610, ilha onde reside até à sua morte em 10 de abril de 1665, vítima de um assassinato à facada.

É sepultado no Convento de São Francisco da cidade do Funchal, que hoje já não existe, estando no seu lugar o Jardim Municipal. 

Nada se sabe sobre as razões que o trazem para a Madeira nem os motivos que levam à sua morte. Mesmo sobre a sua vida na ilha, são escassas as informações.

Na Madeira dedica-se à atividade mercantil e exerce funções de intérprete de línguas no porto do Funchal.

É de ascendência judaica, filho de um médico judeu converso. Apesar de ter sido denunciado ao Tribunal do Santo Ofício, as suas obras revelam um profundo fervor católico.

É, igualmente, um poeta barroco. 

Interessou-se pelas Letras e publicou diversos livros, sendo a sua obra-prima a “Insulana”, publicada em Antuérpia e Ruão em 1635.

Trata-se de um poema épico composto por 10 livros (ou cantos) em oitava rima e versos decassilábicos, num total de 1.462 estrofes.

Narra o descobrimento e o povoamento da ilha da Madeira por João Gonçalves Zarco em 1419. Canta os feitos heróicos do capitão, comparando-os a uma heróica empresa e a um novo atrevimento.

É considerada por madeirenses e portossantenses como "Os Lusíadas da Região", em alusão à epopeia de Luís de Camões.

É tida como uma fonte literária e documental fundamental sobre a Madeira do século XVII.

É uma pedra angular da identidade madeirense e a primeira epopeia que integra o projeto Obras Completas: Epopeias Madeirenses.

A obra combina erudição clássica e metáforas exuberantes com elementos históricos, sendo um exemplo da estética barroca.

Manuel Tomás canta a viagem de Zarco e o descobrimento deste arquipélago, bem como diversos acontecimentos da História da Madeira e feitos gloriosos de muitos madeirenses. 

Servindo-se do modelo de Camões, Tomás canta a Madeira também com o propósito de glorificar a ilha e seu povo, para que os vindouros nunca se esquecessem do passado heróico.

Hoje, com as devidas distâncias, a “Insulana” é considerada para os madeirenses os seus Lusíadas, publicados 63 anos antes. Constitui uma pedra angular da identidade insular, que carece de ser estudada.

Muitas personalidades e factos cantados por Manuel Tomás permaneceriam esquecidos, se o poeta não os tivesse registado, socorrendo-se da memória ainda viva e de fontes históricas. 

Além disso, o poema salienta o sucesso do povoamento destas ilhas e transmite valores que, na época, despertavam orgulho pelo passado histórico dos madeirenses.

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