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Apresentados

Alfredo Rodrigues Gaspar

O senhor chefe do Governo nacional Alfredo Rodrigues Gaspar nasce no Funchal a 8 de agosto de 1865. Viria a falecer em Lisboa, com 73 anos, a 30 de novembro de 1938. É filho de Manuel Rodrigues Gaspar, marceneiro, e de Maria Augusta. Depois dos estudos liceais entra na Escola Naval. Após concluir os cursos de engenheiro maquinista naval, em 1885, e de oficial da Marinha, 1888, dedica-se à carreira militar, tornando-se comandante de unidades navais e diretor-geral do Porto de Lisboa. Alfredo Rodrigues Gaspar leciona na Escola Naval a partir de 1898, especialista em balística e explosivos.  É um grande conhecedor desta matéria, tendo representado Portugal num Congresso de Química Aplicada, em Londres, no ano de 1909, com uma comunicação intitulada “Estudos Comparativos de Algumas das Provas de Estabilidade dos Explosivos”.  É também especialista em balística e explosivos. Militante do 'Partido Republicano Português', onde assume grande protagonismo, é deputado em várias legisl...

Herberto Helder

O poeta solitário


Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira nasce no Funchal, Madeira, a 23 de novembro de 1930.
Frequenta o Liceu. Em 1948, muda-se para Lisboa para estudar Direito, curso que deixa para trás.
Segue-se Filologia Românica, que não conclui.
Opta pela via autodidata fruto de muitas leituras.
Falece em Cascais, a 23 de março de 2015, aos 84 anos. A notícia da sua morte é confirmada dias depois, cumprindo um desejo de discrição.

Poeta grande do século XX

Herberto Helder é considerado um dos grandes poetas de língua portuguesa do século XX.
A origem e a paisagem insular marcam a sensibilidade poética.
É uma figura mítica, pouco conhecida, resguardada.
Recusa prémios e evita aparições públicas.
Em 1994, é atribuído o Prémio Pessoa, o mais prestigiado do país. Herberto recusa. Discorda da institucionalização da arte.

Misterioso

Cultiva uma aura de mistério que amplia o impacto da obra.
A sua poesia, caraterizada por uma linguagem densa, alquímica e profundamente inovadora, reorganiza o campo das possibilidades do idioma.
Herberto Helder diz: ​"A poesia é o meio que encontrei de atravessar o mistério e de ficar com ele, o mistério do corpo, o mistério da linguagem, o mistério do mundo."
​"(...) é o meio que encontrei de atravessar o mistério e de ficar com ele, o mistério do corpo, o mistério da linguagem, o mistério do mundo."
Refere ser ​"preciso que a palavra seja fogo, que a palavra seja o corpo em chamas. É preciso que a palavra corte, que a palavra seja a faca (…) que a palavra seja fogo, que a palavra seja o corpo em chamas. É preciso que a palavra corte, que a palavra seja a faca."
Mais refere que escreve “para ter a idade que a infância não soube o que fazer com ela. Escrevo para tentar a magia (...) para ter a idade que a infância não soube o que fazer com ela. Escrevo para tentar a magia."

Essência da vida

​A sua poesia é uma busca incessante pela essência da vida, feita de corpo e mistério. A palavra é o instrumento final da exploração, conforme se ler neste poema:
​”A palavra
não é o que se pensa,
não é o que se fala,
é o que se vive.
​A palavra, antes de ser escrita,
entra no sangue,
fica na febre
do coração.
​É preciso
que a palavra
seja o corpo a arder.
​É preciso que a palavra
seja tudo:
o amor, a faca, o fogo,
o silêncio que os contém.
​O poeta
não escreve com ideias,
mas com a pele
e com a luz.”

Profissões

Nos anos 50, passa por empregos como redator publicitário, jornalista e tradutor. Neste último, traduz para português obras de autores como Emily Dickinson, Dylan Thomas, Shakespeare e Edgar Allan Poe, caminho que permite um contacto mais próximo com outras vertentes poéticas.
As viagens pela Europa complementam e alargam o horizonte cultural.

Obras literárias

A primeira obra literária é "O Amor em Visita" (1958). Inscreve-se no contexto do surrealismo e evidencia uma presença única.
Apesar de associado à "Geração de 50", ou ao movimento pós-surrealista, é uma voz solitária que segue o seu caminho.
Publica outras obras como "Electronicolírica" (1964) e "Húmus" (1967), onde trata a poesia como uma máquina ou um organismo vivo que se autocria e se transforma.
A linguagem não descreve a realidade por criar uma nova realidade.

Transformar

A sua escrita assemelha-se a um processo que transforma a matéria bruta das palavras em ouro poético, num ato de transmutação e poder mágico.
Começa a afastar-se da vida pública. Recusa entrevistas e participações em eventos. Esta atitude contribui para a criação do mito do poeta maldito ou do feiticeiro da linguagem.
Em 1973 publica "Poesia Toda", uma antologia organizada pelo próprio, que é mais que uma compilação. Constitui uma obra em si mesma.
Herberto Helder reescreve os seus poemas anteriores, tratando a obra como um projeto contínuo e orgânico.
Este trabalho é reeditado e ampliado várias vezes ao longo da vida.
Continua a publicar livros de poesia através da sua editora de confiança, a Assírio & Alvim.
"A Morte sem Mestre" (2014) é uma das suas últimas obras.

Principais obras

As suas principais obras são “O Amor em Visita" (1958), “A Colher na Boca" (1961), “Electronicolírica” (1964), “Húmus” (1967), “Poesia Toda” (1973, e edições subsequentes), A “Morte sem Mestre” (2014), “Os Passos em Volta” (1963) - uma coletânea de textos em prosa de caráter narrativo e autobiográfico, considerada uma obra-prima do género.

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