O antifascista advogado e historiador
Rui Firmino Faria Nepomuceno nasce no Funchal a 10 de maio de 1936, cidade onde vem a falecer, com 87 anos, a 18 de abril de 2024.
Faz os estudos liceais no Funchal.
E, ainda durante a juventude participa no movimento estudantil e na oposição ao Estado Novo. Um percurso que continua nos anos universitários.
Conclui a licenciatura em Direito e regressa ao Funchal.
Inscreve-se na Ordem dos Advogados no Conselho Regional da Madeira em 1968.
Assim, exerce advocacia durante décadas nas áreas do Direito Civil, Comercial e Penal, sendo popularmente apelidado de "advogado dos pobres".
É conhecido pelo seu envolvimento na vida social, política e cultural da Região Autónoma da Madeira.
Em Angola, em 1962, adere ao Partido Comunista Português (PCP).
Depois da Revolução do 25 de Abril de 1974, envolve-se na organização do partido na Madeira, tendo exercido cargos públicos como deputado da CDU na Assembleia Legislativa da Madeira a partir de 1993 e de presidente das Assembleias de Freguesia de Santo António e São Martinho, no Funchal.
Após o 25 de Abril e durante o período revolucionário (PREC), a Madeira vive um clima de forte tensão política e episódios de violência levados a cabo por organizações de extrema-direita. Destaca-se a FLAMA (Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira).
Como um dos rostos mais visíveis da oposição ao fascismo na região e dirigente do PCP, Rui Nepomuceno é um dos principais alvos desse clima de intimidação e violência política.
Entre os acontecimentos e atentados que marcam esse período na sua vida destacam-se atentados bombistas à sede e instalações do PCP.
Na verdade, a sede do partido no Funchal, da qual Rui Nepomuceno é um dos principais dinamizadores e dirigentes, é alvo de ataques e tentativas de destruição com engenhos explosivos promovidos pela FLAMA e forças reacionárias locais.
Além disso, durante os anos de 1975 e 1976, Rui Nepomuceno e a sua família vivem sob constantes ameaças de morte, cartas intimidatórias e cercos promovidos por grupos anticomunistas e pelo movimento independentista, que tentam forçar a expulsão ou o silenciamento dos quadros da esquerda na ilha.
O seu escritório e os seus bens pessoais estão sob permanente risco de vandalismo e destruição no âmbito da vaga de violência que atinge igualmente outros democratas, socialistas e comunistas na Região Autónoma da Madeira durante o processo de transição democrática.
Mas, apesar da violência, do ambiente hostil e do perigo real que corre na altura, Rui Nepomuceno mantém-se no Funchal e continua a exercer a advocacia e a intervenção política, tornando-se uma figura central na resistência ao terrorismo político e na consolidação da democracia na Madeira.
Paralelamente à advocacia e à política, Rui Nepomuceno investiga e publica diversos livros e mais de uma centena de artigos focados na história económica, social e política da Madeira.
Entre as suas principais obras publicadas destaque para as seguintes: 'As Crises de Subsistência na História da Madeira' (1994); 'Uma Perspetiva da História da Madeira' (2003); 'História da Madeira: Uma Visão Actual' (2006); 'A Conquista da Autonomia da Madeira' (2006) e 'O Movimento Democrático na Madeira e no Continente' (Séc. XIX e Séc. XX) (2023).
É eleito presidente da Assembleia Geral da Associação de Escritores da Madeira em 2005.
Pelos serviços prestados, é agraciado com o Grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (2009) e Insígnia Autonómica de Valor pela Região Autónoma da Madeira (2015).
Em 2018, Rui Nepomuceno, advogado, historiador, político e ativista antifascista português, recebe a Medalha de 50 Anos de Inscrição na Ordem dos Advogados e, em 2010, a Medalha de Honra da Ordem dos Advogados Portugueses.
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