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Apresentados

Jorge Domingos Jesus

O homem das contas certas Jorge Domingos de Jesus nasce na freguesia de Santa Maria Maior, concelho do Funchal, a 6 de julho de 1931. É o primeiro de 11 irmãos. Vem a falecer a 1 de janeiro de 2026. Cedo o jovem Jorge é forçado a crescer sem tempo para a transição da infância.  Aos 12 anos, quando a maioria dos rapazes apenas sonha com o futuro, ele olhou para as dificuldades da sua casa, para o desemprego do pai e para o declínio da mercearia da família, e tomou uma decisão de uma maturidade avassaladora: pediu para trabalhar. Uma semana antes de completar 13 anos, Jorge Jesus entrava no mercado de trabalho.  Começa como praticante de escritório por um salário simbólico. O trabalho diurno conciliava-se com o estudo noturno na Escola Industrial e Comercial do Funchal. Sai do escritório e desce a Rochinha a correr para chegar a tempo das aulas. Muitas vezes, vão até à meia-noite, de segunda-feira a sábado.  Assume o papel de "chefe dos irmãos". Organiza a casa, salda as dí...

Alexandre Mendonça

Vocação sacerdotal


Alexandre Mendonça nasceu a 19 de Outubro de 1954. Deixa a Madeira onde nasceu na freguesia de São Pedro, com 12 anos. Foi ter com o pai à Venezuela, que havia emigrado uns anos antes. Primeiro foi a mãe e o irmão velho. Depois segue com outro irmão. Um outro fica na Madeira com a avó.

por: Paulo Camacho

A guerra de África tem grande influência nesta opção de seguirem para a Venezuela. Acompanha-o na viagem para Caracas o desejo de ser sacerdote.
Pensa voltar à Madeira para estudar no Seminário. No entanto, apercebendo-se da situação económica
dos pais, que considera não ser nada fácil, decide ficar e ajudar na capital venezuelana.
Como todos os rapazes que lá chegam, começa a trabalhar numa padaria.
Trabalha depois em restaurantes. Chega a sócio da padaria e de uma cadeia de supermercados.
Aos 26 anos ingressa no Seminário em Caracas. Com 33 anos é ordenado sacerdote. Durante a atividade como pároco, esteve cerca de 15 anos numa zona bastante difícil da capital, Petare, em Campo Rico. Foi capelão da polícia metropolitana.
É ecónomo da Arquidiocese de Caracas, cónego da catedral, diretor da Casa Sacerdotal (dos padres mais idosos) e diretor da Missão Católica Portuguesa. 
Atende todos, não só a comunidade portuguesa, nas três áreas da ação pastoral. Tem duas capelas nos dois clubes de Caracas e a sede da Missão Católica.

Além destas atividades, faz rádio e artigos de imprensa.
O padre Alexandre, como era conhecido, dizia que se inseria bem na vida da comunidade madeirense. Na que vive bem e naquela que vive menos bem.
Reconhece que havia uma insegurança crescente no País. Por ser padre, dizia que podia beneficiar do facto de ter alguma segurança ao saberem que não tinha grandes fortunas. No entanto, admitia que o que passava à sua volta afetava-o da mesma forma que às outras pessoas.

Referia em dado momento da sua vida que, se pudesse recomeçar, voltaria a seguir o mesmo caminho. Talvez, se fosse possível, teria optado pelo seminário na Madeira. Mas não gostava de falar de suposições. Embora viesse com frequência à Madeira todos os anos, como na vez em que conversamos, dizia que não pensava regressar de vez. Enquanto se sentisse útil à comunidade sublinhava que não seria sensato da sua parte que tomasse essa opção, embora sublinhasse que se sentia feliz na Madeira onde referia que se fortalecia espiritualmente.
“É uma necessidade que tenho”, concluía o padre Alexandre que viria a falecer em Caracas, a 13 de outubro de 2021.

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