Max

 O artista madeirense que encantou Portugal

O Max no Funchal, em 1963, numa homenagem da CMF
📷  Museu Photographia Vicentes  📷

(nova adição - 2018)

Maximiano de Sousa, popularmente conhecido por Max, nasceu no Funchal, na ilha da Madeira, a 20 de janeiro de 1918, mas só foi registado a 2 de fevereiro desse ano. Morreu a 29 de maio de 1980.
Da sua carreira o que posso dizer é que foi uma dos mais populares artistas da rádio, do teatro e da televisão em Portugal, desde os anos 40 até à sua morte, e foi também conhecido fora do nosso País.
O seu sonho era ser barbeiro e violinista. Com ouvido para a música mas sem paciência para aprender acabou por fazer mais de 170 músicas.
Aprendeu para ser alfaiate.
Mas nunca deixou de lado o seu sonho, a música, que se tornou numa carreira em 1936, quando começou a atuar no bar de um hotel do Funchal. No entanto, no mundo da música aconteceu em 1927.

Alfaiate de dia e cantava à noite
 
Max era alfaiate de dia e cantava à noite.
Em 1942, foi um dos fundadores do Conjunto de Tony Amaral, onde cantava e era baterista. O conjunto torna-se uma sensação nas noites madeirenses. Nesse mesmo ano casou com Luciana de Freitas, com quem teve dois filhos, tendo falecido já o mais novo.
Em 1944 profissionalizou-se.
Em 1946, foi com o conjunto à conquista de Lisboa. Com a grande procura passa a atuar no night club Nina. Nessa altura, o conjunto toca músicas como boleros, slows, fados-canções.
Em Lisboa, cidade onde consolidou a sua carreira artística, Max ficou conhecido através do fado com o êxito Não digas mal dela. Dizem que esse foi também o motivo da saída do Conjunto de Tony Amaral.
Em 1948 começou uma carreira sozinho. A ascensão foi rápida com as presenças na rádio e no Passatempo APA do Rádio Clube Português, em parceria com Humberto Madeira.
Em 1949, assinou um contrato com a Valentim de Carvalho e gravou o seu primeiro disco com Noites da Madeira e Bailinho da Madeira.

 O 1.º disco

Aquele disco foi o primeiro de uma longa lista de sucessos onde estão a A Mula da Cooperativa, o Magala, 31, o Bailinho da Madeira, Noites da Madeira, Rosinha dos Limões, Porto Santo e Sinal da Cruz.
Max canta na inauguração do restaurante/dancing Flamingo, no Club Americano, no Nina, no Cinema Éden, na então Emissora Nacional e também em outras estações emissoras, assim como em programas de televisão portuguesa, como o Zip-Zip.
Depois da rádio, Max conquistou o teatro, participando a convite de Eugênio Salvador na revista Saias Curtas, em 1952. Foi apenas a primeira. Seguiu-se uma longa série de revistas que confirmarão também os seus dotes de ator e humorista.
Mostrou que não era só fado que cantava.
As suas canções humorísticas levaram Max para outros palcos como o teatro de revista. Isto aconteceu a partir de 1952.
O artista madeirense participou em Saias curtas (1953), Fonte Luminosa (1956), Elas são o espectáculo (1963), Pão, pão… queijo, queijo… (1967), Grande poeta é o Zé (1968) e Peço a palavra (1969), e, ainda, no filme Bonança & C.ª (1969).

Artista versátil

Max cantou e dançou folclore, imitou vozes e instrumentos e escreveu e imortalizou Vielas de Alfama, com Artur Ribeiro, Nem às Paredes Confesso, com Artur Ribeiro e Ferrer Trindade, Fiz Leilão de Mim, com Artur Ribeiro e Lamentos, com Domingues Gonçalves Costa.
Da sua longa lista de discos posso apontar alguns como os seguintes: Bailinho da Madeira, Noites da Madeira, A Mula da Cooperativa, A Coisa, O Magala, O Homem do Trombone, Porto Santo, 31, Sinal da Cruz, Pomba Branca, Pomba Branca, Quando a Dor Bateu à Porta, Não basta chamar irmão, Que me importa morrer, As Bordadeiras, Casei com uma Velha, Tingo Lingo Lingo, A Júlia Florista, Maria tu tens a mania, Carta de um Soldado, Mas sou fadista, Baila Zé, Nem às paredes confesso, Noite, Rosinha dos Limões, Saudades da Ilha e Vielas de Alfama.

Carreira internacional

O sucesso alcançado a nível nacional impulsionou uma projecção artística internacional com várias digressões ao estrangeiro.
Max esteve em Madrid, Espanha, no El Pinguin, em Buenos Aires, na Argentina, no Clube Português, e em São Paulo, no Brasil, no Teatro Paramount. Neste último país foi recebido e homenageado pelo presidente da Casa da Ilha da Madeira, Noel de Arriaga, do Rio de Janeiro. Na cidade brasileira recebeu uma medalha de bronze pelo contributo na divulgação da música portuguesa,
O cantor fez espetáculos para as tropas portuguesas estacionadas em Angola e em Moçambique, da África do Sul, esteve em França, na Áustria, na Alemanha, na Austrália, no Canadá e nos Estados Unidos da América, onde permaneceu cerca de dois anos e meio.
Nos EUA fez sucesso com espetáculos como o show de Ed Sullivan, na Night in Portugal Show, da televisão de Boston, e em diversos espetáculos no Flamingo, em Hollwood, no Hotel Long Beach, em Oackland, onde recebeu a chave de ouro pelas mãos do Mayor, no Big Piano Bar, em São Francisco, no El Chico, em Nova Iorque e em Newark.
A 19 de novembro de 1956 participou no espectáculo The Whole World Sings, no Carnegie Hall, e num grande evento na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Max, apesar do sucesso, era um homem humilde.
Viveu grande parte da sua vida no Continente, em Mem Martins, no concelho de Sintra. Morreu a 30 de maio de 1980.
Em 1991, foi inaugurado um busto em sua homenagem, elaborado pela escultora Luísa Clode, e que se encontra no Largo do Corpo Santo, na zona velha da cidade do Funchal.

Prémios e homenagens 

O Max, em 1963, na homenagem da Câmara Municipal do Funchal
📷  Museu Photographia Vicentes  📷
 

Ao longo da sua carreira artística versátil foi conquistando prémios e alvo de homenagens diversas. Contudo, foi em 1979 que, no Funchal, se juntaram em palco grandes artistas nacionais e diversas entidades regionais e nacionais para homenagear a sua carreira.
Em 2010, em outubro, esteve programada uma grande homenagem na Madeira, mas acabou por não acontecer.
Este ano, em janeiro, foi assinalado na Madeira o centenário do nascimento do cantor madeirense.
A Orquestra Clássica da Madeira fez um concerto comemorativo com o maestro convidado Rui Pinheiro e com o solista Carlos Alberto Moniz. Foram interpretados os temas: ‘Bordadeiras’, ‘Noites da Madeira’,‘Casei com uma velha, ‘Mula da Cooperativa’, ‘O Magala’, ‘Pomba Branca’, ‘Porto Santo’, ‘Bailinho da Madeira’, ‘Saudades da Ilha’ e ‘Sinal da Cruz’.
Além disso, para que o Max seja mais conhecido, o Governo Regional está a pensar criar na Madeira uma casa para o homenagear. A ideia será ter um lugar onde todos possam ficar a conhecer melhor a vida e a carreira do cantor.
O interesse pelo arquivo do Max é antigo. A família tem interesse em negociar a sua cedência, que se encontra em muito bem conservado, segundo disse nos jornais este ano Sérgio Gomes, que com Teresa Nascimento, esteve na origem de uma série de eventos para assinalar o centenário do nascimento.
Os contactos já começaram e a casa deverá surgir na baixa do Funchal. Segundo diz Sérgio Gomes, 99% do espólio de Max não se encontra na Madeira, mas sim em Sintra.
O estudante que está a trabalhar numa tese de mestrado acerca do cantor, esteve durante meses no Continente a fazer o levantamento e a digitalização de tudo o que encontrou, com a família de Max a apoiar o projecto.
Diz que a Madeira muito deve ao filho do Max, José António Sousa, por ter guardado o espólio do pai em tão boas condições. Material muito vasto, recolhido sobretudo pela mulher do cantor, Helda Sousa, onde constam prémios, trajes, recortes de imprensa e muitos objetos pessoais, onde sobressai o barrete de vilão que usava nas actuações e que tem mais de 80 anos.
A ideia da família é a abertura de um espaço convidativo, dinamizado com atividades, onde as pessoas possam encontrar mais do que o acervo.



Paulo Camacho

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