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Apresentados

João de Bettencourt Jardim

O 1.º barão de Jardim e Torre João de Bettencourt Jardim nasce a 30 de novembro de 1830 na Quinta da Lomba, na Calheta. Viria a falecer com 75 anos na Quinta Cuibem, onde reside, a 3 de fevereiro de 1906. É filho de José António Sérvulo Jardim e de Cândida Augusta Bettencourt.  Casa em 1862, com Maria Henriqueta Cretilde Cuibem, e tem um filho, César Guilherme Cuibem Jardim. Em 1880, com a criação no Funchal de uma associação de proteção dos animais domésticos, é nomeado presidente da comissão provisória. Com a Sociedade Protetora dos Animais Domésticos do Funchal (SPAD) formalmente instituída, a 30 de Março de 1897, figura nos estatutos originais como vice-presidente da comissão instaladora. A instituição torna-se uma das entidades privadas mais antigas de Portugal na sua área. Durante a vida profissional,  João de Bettencourt Jardim  é secretário do Governo Civil e administrador do concelho do Funchal. Além daqueles cargos é comissário da Polícia, vogal da Santa Casa d...

António Ferreira

O comendador da Austrália


António Ferreira nasceu no Funchal. No Palheiro Ferreiro, na zona alta, a caminho da Camacha.
Quando deixa a escola aprende a arte de mecânico na oficina de um irmão.
Depois ingressa nos serviços florestais, onde passa a ser mecânico, na Ribeira Brava.

por: Paulo Camacho

Trabalha nas estradas do Paúl da Serra, no Fanal e entre os Canhas e o Paúl. Ali fica durante cinco anos.
Consegue ficar livre da serviço militar que o levaria para a Índia, uma tarefa difícil de conseguir. Mas um engenheiro, de Évora, mexeu os cordelinhos e não segue viagem. Deixa os serviços florestais e ingressa nos serviços hidráulicos. Para a Casa da Luz.
Trabalha nas máquina para a abertura do túnel dos Tornos, na Fajã da Nogueira, no Caldeirão Verde, e em outros lugares.
Sai destes serviços e vai trabalhar para as máquinas nos Portos.
Nessa altura, já é casado, e pai de cinco filhos. 
Naqueles distantes anos 60 não vê muitas saídas para a vida que sonha para si e para a família. Por isso, pensa que tem se partir à procura de um futuro mais promissor, tal como muitos conterrâneos têm feito ao longo de décadas.

Pede licença para sair. Tem o cuidado de ficar vinculado aos serviços do Governo para o caso da aventura não resultar.
Escolhe a Austrália onde tem um primo, que faz a carta de chamada. Vai primeiro e, depois, a mulher segue com os filhos.

Mas o caminho não é direto.

António Ferreira passa pela África do Sul. Ali trabalha uns meses e amealha algum dinheiro que lhe permite fazer um depósito para uma casa na Austrália. A família quando chega a Sidney já tem onde ficar.
Vai trabalhar na sua área, depois de ter tirado alguns cursos de mecânica em Lisboa.

Chega numa quinta-feira. Já querem que trabalhasse no sábado seguinte. Mas só começa na segunda-feira.
Inicia com a companhia de um espanhol para servir de intérprete nas oficinas do governo.

Reformado, dizia-se feliz com os filhos todos bem da vida. E os netos também. Todos estão no país dos cangurus.
Com lágrimas diz que nasceu numa casa pobre, de palha, e manifesta tristeza pelos pais não estarem vivos para sentirem orgulho na grande viragem deste filho.
Uma vida onde não se limita ao trabalho e à família. Tem uma visão mais abrangente e procurou sempre unir a comunidade.

Está ligado à recuperação do Portugal Madeira Club onde tem um busto de Alberto João Jardim. Diz que é a forma da comunidade reconhecer o trabalho que o presidente do Governo Regional fez pela Madeira e pelas comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo. 
É o pai da geminação da cidade do Funchal com as cidades australianas de Fremantle e Marrickville. Este seu trabalho foi reconhecido pela República Portuguesa que o agracia com uma comenda. 
É igualmente condecorado pelo Governo australiano no Ano Internacional dos Idosos, o que deixa muito orgulhoso.
Diz que a comunidade madeirense convive entre si.
Replica todas as festas madeirenses na Austrália. Mas também está bem integrada com a população local e com as autoridades.
Membro ativo do conselho das Comunidades Madeirenses faz questão de vir todos os anos à sua terra natal. 

(2010)

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