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Apresentados

Jorge Domingos Jesus

O homem das contas certas Jorge Domingos de Jesus nasce na freguesia de Santa Maria Maior, concelho do Funchal, a 6 de julho de 1931. É o primeiro de 11 irmãos. Vem a falecer a 1 de janeiro de 2026. Cedo o jovem Jorge é forçado a crescer sem tempo para a transição da infância.  Aos 12 anos, quando a maioria dos rapazes apenas sonha com o futuro, ele olhou para as dificuldades da sua casa, para o desemprego do pai e para o declínio da mercearia da família, e tomou uma decisão de uma maturidade avassaladora: pediu para trabalhar. Uma semana antes de completar 13 anos, Jorge Jesus entrava no mercado de trabalho.  Começa como praticante de escritório por um salário simbólico. O trabalho diurno conciliava-se com o estudo noturno na Escola Industrial e Comercial do Funchal. Sai do escritório e desce a Rochinha a correr para chegar a tempo das aulas. Muitas vezes, vão até à meia-noite, de segunda-feira a sábado.  Assume o papel de "chefe dos irmãos". Organiza a casa, salda as dí...

António Ferreira

O comendador da Austrália


António Ferreira nasceu no Funchal. No Palheiro Ferreiro, na zona alta, a caminho da Camacha.
Quando deixa a escola aprende a arte de mecânico na oficina de um irmão.
Depois ingressa nos serviços florestais, onde passa a ser mecânico, na Ribeira Brava.

por: Paulo Camacho

Trabalha nas estradas do Paúl da Serra, no Fanal e entre os Canhas e o Paúl. Ali fica durante cinco anos.
Consegue ficar livre da serviço militar que o levaria para a Índia, uma tarefa difícil de conseguir. Mas um engenheiro, de Évora, mexeu os cordelinhos e não segue viagem. Deixa os serviços florestais e ingressa nos serviços hidráulicos. Para a Casa da Luz.
Trabalha nas máquina para a abertura do túnel dos Tornos, na Fajã da Nogueira, no Caldeirão Verde, e em outros lugares.
Sai destes serviços e vai trabalhar para as máquinas nos Portos.
Nessa altura, já é casado, e pai de cinco filhos. 
Naqueles distantes anos 60 não vê muitas saídas para a vida que sonha para si e para a família. Por isso, pensa que tem se partir à procura de um futuro mais promissor, tal como muitos conterrâneos têm feito ao longo de décadas.

Pede licença para sair. Tem o cuidado de ficar vinculado aos serviços do Governo para o caso da aventura não resultar.
Escolhe a Austrália onde tem um primo, que faz a carta de chamada. Vai primeiro e, depois, a mulher segue com os filhos.

Mas o caminho não é direto.

António Ferreira passa pela África do Sul. Ali trabalha uns meses e amealha algum dinheiro que lhe permite fazer um depósito para uma casa na Austrália. A família quando chega a Sidney já tem onde ficar.
Vai trabalhar na sua área, depois de ter tirado alguns cursos de mecânica em Lisboa.

Chega numa quinta-feira. Já querem que trabalhasse no sábado seguinte. Mas só começa na segunda-feira.
Inicia com a companhia de um espanhol para servir de intérprete nas oficinas do governo.

Reformado, dizia-se feliz com os filhos todos bem da vida. E os netos também. Todos estão no país dos cangurus.
Com lágrimas diz que nasceu numa casa pobre, de palha, e manifesta tristeza pelos pais não estarem vivos para sentirem orgulho na grande viragem deste filho.
Uma vida onde não se limita ao trabalho e à família. Tem uma visão mais abrangente e procurou sempre unir a comunidade.

Está ligado à recuperação do Portugal Madeira Club onde tem um busto de Alberto João Jardim. Diz que é a forma da comunidade reconhecer o trabalho que o presidente do Governo Regional fez pela Madeira e pelas comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo. 
É o pai da geminação da cidade do Funchal com as cidades australianas de Fremantle e Marrickville. Este seu trabalho foi reconhecido pela República Portuguesa que o agracia com uma comenda. 
É igualmente condecorado pelo Governo australiano no Ano Internacional dos Idosos, o que deixa muito orgulhoso.
Diz que a comunidade madeirense convive entre si.
Replica todas as festas madeirenses na Austrália. Mas também está bem integrada com a população local e com as autoridades.
Membro ativo do conselho das Comunidades Madeirenses faz questão de vir todos os anos à sua terra natal. 

(2010)

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