Emanuel Machado


Inovar negócios de família

Em 1979 termina o liceu. Faz o Propedêutico e vai para Lisboa. Tira o curso de Gestão de Empresas. Acaba a formação em 1983.
Realiza um estágio na extinta Companhia Nacional de Navegação. Tem a responsabilidade de análise de funções. Nessa altura, a companhia ainda tem navios. Por lá fica cerca de um ano.
Depois, em 1984, integra os quadros da Caixa Económica do Funchal, que vem a culminar na criação do Banco Internacional do Funchal — Banif (extinto em 2015).
Faleceu no dia 6 de abril de 2024.

por: Paulo Camacho

A Caixa Económica

Emanuel Machado inicia como técnico de análise de investimentos.
Aí por 1986 integra o gabinete de promoção da Caixa em banco. O gabinete é chefiado pelo dr. Rebelo Quintal e integra também o dr. Tranquada Gomes.
Em 1988, a instituição transforma-se em banco. Passa a integrar os quadros do Banif. É responsável pelos clientes especiais.
Chega a trabalhar com o comendador Horácio Roque. Integra um projeto para a constituição de um fundo de pensões.
A dada altura sente que o percurso na banca está a chegar a um momento que o obriga a tomar novas decisões quanto ao rumo a dar à sua vida profissional.

A Promosoft

Entretanto, está a desenvolver-se um projeto pelo qual sente um carinho grande. Tem uma série de colegas que trabalham juntos. Trata-se da criação da Promosoft.
Emanuel Machado muda de empresa e fica ligado à empresa de informática até ao início da década de 90.
Paralelamente, integra os quadros da companhia de aviação madeirense Air Columbus, já extinta. É o primeiro diretor financeiro da empresa. Ali fica durante dois anos e acompanha, em simultâneo, algumas ações da Promosoft.

Empresas familiares

Indiretamente, também está ligado ao comércio, por laços familiares. Por isso, sente a necessidade de iniciar um processo de substituição dentro da empresa. Alguns familiares estão a chegar a uma fase da vida que requer mais sossego e retirar-se do mercado mais ativo.
Emanuel Machado acaba por deixar tudo o resto. Aceita o desafio de continuar nas empresas familiares. Está ciente que é uma aposta diferente: a entrada no comércio.
Ajuda a desenvolver as empresas Machados, com atividades que vão desde o comércio tradicional até à área da saúde. Percorre um conceito para fazer com que as empresas estejam presentes na área do conforto, saúde e bem-estar dos clientes.

Todo o tempo possível

Trabalha com outros familiares, especialmente com o tio Francisco Machado, com quem fica com parceira os negócios.
Em termos práticos são um conjunto de empresas: a Jaime S. Machado & Filhos, Lda., que tem a Lisbel (já extinta) e os estabelecimentos Machados Desporto; a Irmãos Machado, com o Centro Ortopédico do Funchal, que atua no retalho e numa divisão de grossista na área do material médico-hospitalar e consumo clínico; e a Conforent, para aluguer de equipamento de saúde, e a Persona, uma clínica de nutrição e estética.
Emanuel Machado dedica todo o tempo possível às empresas.
Começa o dia a ouvir as notícias difundidas pela rádio às 7 horas. Fica por ali uns 15 minutos. Levanta-se e vai cuidar dos cães, de quem muito gosta e que, no fundo, são bons companheiros na prática da grande paixão das horas livres: a caça. Treina todos os dias os cães na casa onde vive, no Santo da Serra.
Toma o pequeno-almoço e sai de casa pelas 8.45 horas. Menos de meia hora depois chega ao escritório e começa a trabalhar.

A ACIF

Além da atividade comercial foi foi convidado pelo presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal/Câmara de Comércio e Indústria da Madeira, Anthony Miles, para integrar a direção da instituição. Aceita. Considera que tem sido uma experiência fantástica.
Assume a presidência do setor de Comércio.
Diz que fica em dívida com a própria instituição por permitir que intervenha no sentido de tentar diminuir algumas assimetrias existentes entre as formas de comércio, nomeadamente a urbana, e aquele que se concentra em grandes espaços comerciais.
Lembra o caso da ExpoNatal que, em seu entender, tem sido uma grande operação de “merchandising” com efeitos surpreendentes. Tem permitido a fixação de determinados tipos de hábitos de consumo localizados dentro do espaço urbano. No fundo, é esse o grande objetivo da iniciativa.

A Internet

Além da caça, Emanuel Machado também gosta de ver ralis. Acompanha o desenrolar dos ralis do campeonato regional e a prova rainha, que é o Rali Vinho Madeira.
No domínio das novas tecnologias sente-se completamente identificado em relação a essa matéria. Desde a primeira hora que surgem no mercado os computadores mergulha sobre os teclados tirando sempre partido do que proporcionam.
Emanuel Machado foi utilizador frequente, desde muito cedo, do correio eletrónico.

Uma loja virtual

Estudou a implantação de uma loja virtual, uma loja de conveniência de ortopedia na Internet.
Um projeto oneroso, que andou muito devagar, em parte devido ao momento menos bom que o país e o mundo atravessavam então.
A parte da ferramenta estava concluída. Restava aguardar por melhores momentos para avançar, aí por finais de 2004, princípios de 2005.
A ideia seria divulgar a loja dentro de portais normalmente usados por utilizadores madeirenses. Isso não significa que, tendo em linha de conta que o grupo desenvolve algumas adaptações na área da ortopedia, pudesse tentar que alguns produtos desenvolvidos localmente passassem a estar disponibilizados em qualquer parte do Mundo, de onde surgissem parceiras estratégicas nesse sentido.

Emanuel Machado esteve ligado à direção da Casa da Europa. Fez parte do conselho consultivo da CERNE — Casa da Europa, um espaço muito forte de debate de temas europeus.
Gostava de ler. Tinha sempre vários livros na mesa-de-cabeceira.
Em relação à atualização de conhecimentos fez frequentemente ações de formação, tanto da Universidade Católica como no ISCTE.
Tentou manter-se continuamente o mais atento possível em relação ao que se passava à sua volta. Era frequentador de seminários, de conversas e de tertúlias, onde se discutiam as mais diversas temáticas.

Falecimento

Emanuel Machado acabou por falecer ainda novo, com 64 anos, no dia 6 de abril. 
A Madeira ficou mais pobre com a perda de uma pessoa de trato fácil, visionário, e um grande amigo.

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