Siegmund Bachmeier

 Da Alemanha para a Madeira

Siegmund Bachmeier começou a trabalhar na sua Alemanha natal. Mas era cansativo.
Procurou um lugar mais tranquilo. A Madeira foi a aposta, onde ergueu um grupo hoteleiro com unidades hoteleiras no Caniço de Baixo e nos Prazeres. Faleceu a 1 de novembro de 2020.


por: Paulo Camacho


Em jovem passou pelos bombeiros voluntários na Alemanha. A sua missão era a de assistir acidentados nas montanhas. Ajudava a retirar de lugares difíceis feridos e aqueles que não conseguem sobreviver.
Mais tarde, foi escolhido para guia de montanha e professor na única escola da especialidade em Tirol.
No início da carreira, Siegmund Bachmeier teve duas empresas de equipamentos desportivos.
De início trabalhava numa região perto de Munique. Depois, estendeu-se pelo país. E também pelos vizinhos, como Áustria, Holanda, Suíça, França... 
Tinha de se deslocar com muita frequência.
Em cada ano fazia uma média de 150 a 200 mil quilómetros, de carro. Na altura, não podia aproveitar sempre os aviões. Algumas vezes, conseguia viajar de comboio.
Era uma profissão muito cansativa. Por isso, decidiu mudar e procurar uma outra mais tranquila.

A Madeira tranquila

Veio à Madeira de viagem. Encontrou mais turismo de qualidade do que em quantidade. A maioria é inglesa. Não vê muitos conterrâneos, alemães.
Passou pela ilha duas ou três vezes, as suficientes para gostar do destino e ver aqui uma boa oportunidade de negócio. Reconheceu que havia muito espaço para desenvolver projetos, o que não acontecia com Canárias, que estava mais desenvolvida turisticamente. Foi precisamente o atraso no turismo que o despertou.
Disse que encontrou a Madeira, e mesmo Portugal, numa situação menos boa.
Começou a investir na ilha em 1969. Era um pequeno industrial hoteleiro.

Começo com o Galo

Trouxe a família. Os filhos estudaram no Colégio Infante. Mais tarde, estudaram turismo no exterior. Aprenderam muito turismo em diversas partes do Mundo até decidirem regressar à ilha para apoiar os projetos do pai.
Siegmund Bachmeier começou com um restaurante, o Galo, na Ponta da Oliveira, no Caniço de Baixo.
A escolha por aquele local deveu-se à tranquilidade e à beleza, contrariamente ao Funchal, que encontrou muito denso para os seus propósitos. Tinha a noção de que uma importante fatia de turistas gostava de hotéis fora da cidade.
Criou a empresa "Reis Magos, SA", que foi passada a pente fino pelos serviços secretos de Salazar.
Pouco depois do restaurante implementou uma zona balnear.

Explosões até ao mar

Siegmund Bachmeir, como militar, com a patente de tenente, passou cinco anos na Rússia, onde aprendeu alguns segredos explosivos. Aproveita-os para abrir caminho na Madeira pela falésia na até ao mar, até aí sem acesso.
O projeto teve sucesso. Ainda hoje constitui uma boa oferta balnear na Madeira.
Pouco a pouco vai crescendo.

O primeiro hotel

Dez anos mais tarde do emblemático Galo, abre a primeira unidade hoteleira: Galo Mar, com 45 habitações.
Para se desenvolver estabeleceu um contrato com o operador turístico na cidade de Berlim, Hansa. E, pouco depois, com a Tui.
Trabalhou com uma guia, com a qual manteve sempre amizade.
Mais tarde, abriu mais uma unidade: a Alpino Atlântico, que conheu, desde a primeira hora, bons índices de ocupação. Muitos repetentes, alguns mais de 10 vezes.
Depois, surgiu o Ondamar, o hotel de bandeira do grupo.
Todos tinham como denominador comum situarem-se no Caniço de Baixo, a pouca distância uns dos outros. Inclusivamente, o restaurante do telhado em forma de barrete típico, com um galo pomposo no topo incansável na sua luta contra o vento.
Confidenciou que não constrói unidades de cinco estrelas pelo simples facto de os turistas que recebia não se enquadrarem bem nesse patamar, mas mais entre os três e quatro estrelas.

Os Prazeres

A dada altura, investi nos Prazeres, na Calheta, também na zona sul da ilha, mas mais para oeste. Foi igualmente uma aposta num local de eleição, afastado da população.
Siegmund Bachmeier reconhecu o apoio que sempre teve do Governo Regional e da Secretaria Regional do Turismo e Cultura para conseguir concretizar o projeto dos Prazeres, com o hotel Jardim Atlântico, com cerca de 100 habitações.
Recordou, no entanto, os tempos difíceis para proceder a investimentos, onde os créditos bancários eram caros e difíceis.
Contraiu um empréstimo barato num banco suíço mas foi multado por isso em Portugal. 
Chegou a ter uma agência de viagens: a Via Galo, para complementar a oferta hoteleira. Acabou por vendê-la à Tui.

A fusão

A dado momento, decidiu empreender a fusão de quatro a cinco empresas de caráter limitado para duas sociedades anónimas. Uma ficou para o filho mais velho, Roland, e a outra, foi para Udo. Entendeu que era a melhor forma de permitir que cada um trabalhasse à sua maneira para conseguir o sucesso esperado.

A “pasta” aos filhos

Siegmund Bachmeier deixou a atividade executiva para os filhos. Reformou-se. Passou a surgir, além de pai e de amigo, como consultor privilegiado para as questões que os filhos desejassem. Entre outras missões, passou também a ocupar-se a procura terrenos para comprar.
Confidenciou que aprendeu muito com um “professor”, há cerca muitas décadas: o dr. Eduardo Paiva, também conhecido como “Leão de Santa Cruz”. Ensina-o como adquirir terrenos para fins hoteleiros.
Além disso, quase todos os sábados e domingos, fazia excursões pelas serras e picos da Madeira. Era um desejo que fazia questão de satisfazer e que considerava ajudá-lo a manter-se vivo e a desenvolver todas as atividades que a idade poderia impedir, como conduzir o seu VW.

Os segredos da serra

Não escondia que conhecia muito bem os segredos dos caminhos verdes da ilha que também passou a ser sua. Um conhecimento que o levou, inclusive, a escrever um livro da especialidade juntamente com uma colega. 
Nesse trabalho são apresentadas 20 excursões possíveis de serem feitas nas serras da Madeira.
O livro foi entregue às agências de viagens e, especialmente, ao operador turístico alemão Tui.
Esta sua experiência ajudou serviu para ajudar algumas missões nas serras da Madeira, para tentar descobrir alguém perdido, mesmo que fosse durante a noite.

Internet sem segredos

Gostava imenso da Internet. Era utilizador frequente. Reconheceu cedo as potencialidades para a venda de camas, mas também estava ciente da necessidade de cuidado para evitar comprar gato por lebre.
Chegou a fazer experiências para receber a Internet mais barata e mais rápida. Falava de sistemas telefónicos como analógico, RDIS e ADSL, que permitiam, há alguns anos, o acesso menos ou mais rápido à Internet com grande facilidade.
Siegmund Bachmeier considerava que o Caniço de Baixo do seu tempo, calmo, e com muito espaço, era diferente do atual, onde há demasiada construção.

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